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Milk_Flavors

por Dr. Alexandre Feldman

O leite do supermercado é rotulado, por muitos (inclusive a maioria dos médicos e nutricionistas), como um alimento quase perfeito, muito necessário para o desenvolvimento dos ossos e dentes; tudo isso por conta do cálcio na sua composição.

Quem já não ouviu que a criança precisa tomar bastante leite para evitar o raquitismo, enquanto que o adulto e o idoso devem ingerir muito leite para evitar a osteoporose? E que a proteína do leite é boa para o crescimento saudável?

Tomar leite de supermercado não previne osteoporose. Está provado. Em um estudo científico enorme realizado pela universidade de Harvard, nos anos 90, e que recebeu o nome de Harvard Nurses Study, foram estudadas mais de 70 mil mulheres, e a conclusão foi estarrecedora: aquelas que tomavam pelo menos dois copos de leite ao dia, tinham significativamente mais osteoporose que o grupo que tomava um copo por semana.

Como pode ser?

Terá a ciência modificado seu conceito sobre o leite?

Ou terá o leite se modificado?

Pois é… foi o leite que mudou!

Em muitas das minhas palestras, quando começo a falar sobre os malefícios do leite de supermercado, alguém, normalmente mais velho, na platéia, se levanta e pergunta: “- Mas doutor, como é possível? Eu e meus irmãos fomos criados na fazenda, tomando leite puro, quentinho, direto da vaca, e tivemos uma infância e adolescência muito saudável, nos tornamos adultos altos e fortes… Como pode o leite não ser bom?”

E eu respondo: Aquele leite era ótimo!

Existe uma grande, imensa diferença entre o leite tomado puro, recém-saído da vaca (ou da cabra, cavalo etc) e o leite de supermercado..

O leite de supermercado é pasteurizado. Homogeneizado. Centrifugado. Clarificado. Filtrado. Bactofugado. Tratado à vácuo. Aquecido e reaquecido várias vezes. Só então ele alcança as gôndolas do mercado. Isso quando ele não é desnatado. Ou desidratado (em pó). Ou ambos.

Como veremos, a indústria do leite está interessada apenas nos cifrões, na quantidade. Não na saúde. Para eles, todo esse processamento do leite é sinônimo de qualidade. Mas infelizmente, esse leite não possui mais nenhum parentesco com o leite cru, in natura. Ambos são brancos. Mas a semelhança para por aí. Em termos bioquímicos, enzimáticos e nutricionais, eles são completamente diferentes.

A importância das enzimas presentes nos alimentos está começando a ser estudada só agora, pela ciência de ponta. A pasteurização do leite destrói as suas enzimas. Uma delas, a fostatase, é essencial para a absorção do cálcio. Agora, me responda: de que adianta o leite conter cálcio, se a sua absorção está prejudicada? Na prática, tudo se passa como se esse leite fosse pobre em cálcio! Você já reparou que a osteoporose está atacando pessoas cada vez mais jovens?

Outra enzima presente no leite, a lipase, é útil para a absorção dos ácidos graxos (gorduras). Porém, é destruída pela pasteurização. A enzima galactase, importante para a digestão do açúcar do leite (que recebe o nome de galactose), é perdida. A catalase, peroxidase, diastase… todas as enzimas que facilitam e propiciam a utilização dos nutrientes desaparecem. Os próprios nutrientes do leite se alteram ou são destruídos com a pasteurização e o processamento industrial. Por exemplo: Você, que sempre acreditou nos benefícios do leite, rico em cálcio, aos dentes, precisa levar em conta que a destruição e alteração de outros de seus nutrientes, pelo processamento industrial, acaba causando um efeito radicalmente inesperado.

O Dr. Ralph Steinman, professor emérito da faculdade de odontologia da Universidade Loma Linda na Califórnia, realizou num estudo científico em ratos, dividindo-os em 3 grupos: o primeiro, alimentado com ração normal, teve menos de uma cárie, em média, ao longo da vida. O segundo grupo recebeu uma alimentação recebeu numa dieta repleta de açúcar, e apresentou uma média de 5,6 cáries por rato, ao longo da vida. Mas o terceiro grupo foi alimentado com leite pasteurizado homogeneizado, e apresentou 9,4 cáries por rato, em média. A propósito, o processo de formação de cáries é idêntico em ratos e seres humanos. Se o leite industrializado faz isso com os dentes, imagine então os ossos!

Agora, imagine as crianças, que além de leite industrializado, consomem avidamente chocolate, brigadeiro, leite condensado, bolacha, batata frita, macarrão e outras fontes de açúcar!!! O pior é que esse péssimo hábito é reforçado pelos pais, pela escola, pelos buffets infantis, pelos avós, enfim, por todo mundo! A saúde dos dentes reflete a saúde do organismo como um todo. Dentes ruins são sinal de saúde ruim. Hoje em dia, os cardiologistas já comprovaram que a aterosclerose e as cáries andam de mãos dadas. Ambos os processos fazem parte de um mesmo estado degenerativo. A única diferença é que as cáries aparecem primeiro.

Você percebe?

Não basta apenas o cálcio.

O leite cru possui uma série de nutrientes, alguns dos quais ainda não foram nem sequer isolados e identificados pela ciência, mas cujos efeitos podem, sim, ser observados após a perda ou alteração desses nutrientes pelo processamento industrial. O leite contém um açúcar chamado lactose. Por sinal, em grandes quantidades. Se o leite for cru, essa lactose não possui o efeito destrutivo do açúcar comum (sacarose), pois é absorvido bem mais lentamente e, assim, não sobrecarrega o pâncreas na produção de quantidades excessivas de insulina.

Por outro lado, se o leite for pasteurizado, a coisa muda: o aquecimento a altas temperaturas transforma a lactose em beta-lactose, que é um açúcar muito mais rapidamente absorvido pelo organismo, resultando em picos excessivos de insulina e sobrecarga do pâncreas. Quando essa insulina acaba de cumprir o papel de livrar o sangue do excesso de açúcar, ela permanece na circulação por mais um tempo, desta vez retirando açúcar necessário ao bom funcionamento do cérebro e do organismo. O organismo reage imediatamente a essa baixa anormal de açúcar, provocando uma sensação de fome. Fome por alguma coisa que reponha rapidamente esse açúcar, como por exemplo, um doce, ou quem sabe, mais leite. A coisa vira um ciclo, uma espiral, uma bola de neve. Um dos resultados é a obesidade, que por sinal, está se tornando uma epidemia.

Outro resultado é a enxaqueca, depressão, ansiedade, crises de pânico e desequilíbrio hormonal (e suas conseqüências). O processo de homogeneização do leite consiste em filtrá-lo sob alta pressão, de modo a reduzir ao máximo o tamanho dos glóbulos de gordura que nele contém, de modo que o leite não separe, ou seja, não forme nata. Fique sempre homogêneo. Esses glóbulos de gordura possuem uma membrana externa, microscópica, constituída por uma certa proporção de proteínas e gorduras. Com a homogeneização, ocorre um aumento brutal na área de superfície desses glóbulos de gordura, a perda da estrutura original das membranas desses glóbulos e sua substituição por uma proporção bem maior de proteínas que no leite cru. Este fator pode ser um dos responsáveis pela tendência do leite industrializado a provocar alergias.

As proteínas do leite, como a caseína, lactoalbumina e lactoglobulina, são estruturas químicas complexas que, quando aquecidas além de 46 graus, começam a sofrer um processo chamado desnaturação. Esse nome é ótimo, porque diz tudo. Com a pasteurização, Elas perdem (des) o seu estado natural (naturação) e se tornam substâncias estranhas ao organismo de quem as ingere. Quando entramos em contato com elas, nosso sistema imunológico as reconhece – em maior ou menor grau – como se fossem corpos estranhos! Quando é em maior grau, o indivíduo tem sorte, pois já sabe que, se tomar o leite do supermercado, sofrerá uma série de reações intensas (digestivas e outras). Quando esse reconhecimento é em menor grau, como no caso da maioria das pessoas, as reações não são visíveis, nem óbvias, mas acontecem. Um sistema imunológico voltado, ainda que em baixo grau, para uma reação inútil contra estruturas do leite de supermercado, está passando por uma sobrecarga desnecessária. E constante, naqueles indivíduos que fazem uso quotidiano desse leite. O sistema imunológico é quem comanda a regeneração e cura das doenças. Um sistema imunológico sobrecarregado não combina com nenhum tipo de melhora!

Crianças e adultos, no meu consultório, com gripes e resfriados, infecções de ouvido freqüentes, dores de cabeça, enxaquecas… param o leite de supermercado, e em 3 meses, nunca mais querem ver esse leite pela frente, pois sentem-se melhor!

Tente você também.

E tem mais: essa reação do sistema imunológico, por menor que seja, é uma reação denominada inflamatória. Acompanhe o raciocínio: Qualquer dor, inclusive a dor de cabeça, compreende, entre outras coisas, no seu mecanismo, uma inflamação. Se você, além de sofrer de dores de cabeça, consome, sistematicamente, algum ingrediente que pode causar uma resposta inflamatória do corpo, estará criando um estado pró-inflamatório no seu organismo. Fica muito mais fácil ter dor!

O leite de supermercado pode predispor a doenças auto-imunes, pois os anticorpos voltados contra as estruturas do leite podem, “sem querer”, reconhecer estruturas do nosso próprio corpo (articulações, pâncreas e outros órgãos e tecidos) como se fossem as estruturas do leite. Nessa hora, você começa a ser atacado pelos seus próprios anticorpos. São as assim chamadas doenças auto-imunes.

Bebês que, nos primeiros 6 meses, se alimentam com leite pasteurizado em detrimento do materno, têm maior incidência de infecções respiratórias, diarréia, pneumonia, infecções de ouvidos, e outras doenças bacterianas e virais. Há até cientistas correlacionando a ingestão de leite pasteurizado no primeiro semestre de vida, com o aparecimento maior de doenças do sistema imune, por exemplo, diabetes, colite ulcerativa, doença celíaca e outras, em comparação aos não-consumidores de leite de vaca.

Por que, então, consumimos leite pasteurizado?

A resposta é simples: Propaganda, propaganda e propaganda.

A última moda, agora, é o leite ultrapasteurizado. Dê uma olhada em muitas caixinhas de leite de supermercado, e você poderá ver as letras UHT impressas no rótulo. UHT nada mais é que a abreviatura de Ultra HighTemperature – temperatura ultra alta. Pelo que você já leu até aqui, já dá para entender que isso não é uma coisa nada boa. Pesquisadores da Universidade de Washington, em 1960, ficaram interessados em resultados de estudos mostrando uma incidência maior de infarto em portadores de úlcera do estômago, e levantaram a suspeita de que o leite pasteurizado, utilizado na época pelos pacientes para aliviar seus sintomas de queimação, pudesse estar exercendo um papel nesse processo. Fizeram, então, um estudo estatístico ligando o consumo do leite à incidência de infarto, e que foi publicado na revista Circulation, volume 21, página 438. O estudo comparou a incidência de ataques cardíacos em consumidores quotidianos de leite pasteurizado versus não consumidores.

O resultado? Três vezes mais consumidores de leite tiveram ataques cardíacos, nos Estados Unidos. Na Inglaterra, seis vezes mais.

Quem levou a culpa? A gordura do leite. E assim, desnataram o leite. O mundo inteiro passou a consumir leite desnatado e alimentos com baixos teores de gordura.

Será que essa atitude levou a uma diminuição das doenças coronarianas? As estatísticas dizem que não.

Atenção, leitora: apesar do que você lê ou ouve, saiba que qualquer recomendação para diminuir o consumo de gordura animal não possui fundamento científico. As gorduras animais são substâncias biológicas estáveis, não se oxidam facilmente, não dão origem a radicais livres facilmente e, sobretudo, contêm nutrientes fundamentais, essenciais, vitais para a sua saúde e da sua família. As crianças, em particular, necessitam de um ótimo suprimento de gordura animal de boa qualidade, a fim de garantir o seu perfeito desenvolvimento físico e neurológico.

A que interesses atende o consumo de leite industrializado? Aos interesses de uma indústria multibilionária.

A megaindústria investe bilhões para romancear o seu produto, associá-lo a bichinhos, a cenas da infância e musiquinhas, em propagandas espalhadas por todos os lugares, que absorvemos através dos nossos cinco sentidos, todos os dias, repetidas vezes. Uma verdadeira lavagem cerebral.

E não descuidando de influenciar inteligentemente as áreas de conhecimento formadoras de opinião – nutrição e medicina – no sentido de convencer os profissionais dessas áreas (e assim, toda a população) de que o leite é a única fonte realmente boa de cálcio, e que sem o leite, o castigo será maligno, nossos ossos vão se desintegrar.

Além disso, a grande mídia, a grande imprensa, se recusa a questionar os trabalhos que seguem os mandamentos ditatoriais da indústria multibilionária de alimentos. Pelo contrário, encoraja a todos que bebam bastante leite de vaca industrializado, e consumam seus derivados. Leite de soja também.

Vamos supor que uma matéria é publicada numa revista de grande circulação e muito conhecida, falando bem sobre o leite, ou então algum novo remédio ou tratamento para dor de cabeça. Se nas próximas, 3 ou 4 edições não aparecer nenhuma contestação ou ressalva, isso significa, para todos os leitores, que a questão está fechada. O assunto está encerrado. Não há contestação. Pois caso houvesse, a revista publicaria, uma vez que a imprensa é livre. Mas veja bem: a imprensa também é livre para publicar ou não publicar, de modo que a revista, ou o jornal/rádio/TV, só vai publicar aquilo que estiver de acordo com os seus interesses. E os seus interesses coincidem com aqueles de seus anunciantes e patrocinadores, entre eles, quase sempre, a poderosa indústria de alimentos e de remédios. É claro que eles entrevistam médicos, nutricionistas, professores universitários e pessoas revestidas de autoridade em saúde. Eles entrevistam aquela parcela de profissionais que, honestamente, acredita que a natureza não foi capaz de criar alimentos suficientemente saudáveis, e que o homem pode melhorá-los através de processos industriais e engenharia genética. Eles entrevistam a parcela que acredita, honestamente, que as doenças nada mais são que um estado de deficiência de remédios.

Toda essa filosofia foi criada por uma indústria visando um mercado multibilionário de alimentação e saúde. Os entrevistados típicos são profissionais altamente inteligentes, graduados e capacitados, que algum dia se envolveram em um trabalho científico de pesquisa que levou ao patrocínio de alguma indústria alimentícia e/ou farmacêutica, ou indiretamente, através de algum órgão governamental (no Brasil ou fora dele) controlado, financeiramente, pela indústria. Se alguma pesquisa destes cientistas apontar para um efeito negativo do remédio ou alimento em questão, este resultado é simplesmente omitido. Deixado de lado. E caso outro pesquisador qualquer tenha apontado para o mesmo problema, a solução típica é ignorar essa informação e, de quebra, o pesquisador. Assim, ninguém fica de consciência pesada.

É claro que existem inúmeras pesquisas, patrocinadas pela indústria, sobre alimentos e remédios, realizadas por grandes cientistas, e todas estas pesquisas são de enorme importância – desde que seus resultados venham de encontro com os interesses maiores da indústria, e dêem a ela suporte de modo a evitar qualquer conflito de opiniões.

Dica: Troque o Leite Pelo Iogurte

Recebi uma pergunta, através do formulário que disponibilizo no meu site para esse propósito, de uma internauta de São José dos Campos (SP). Eis aqui a questão:

- O site é bem organizado e muito esclarecedor para quem sofre de enxaqueca. Sofro deste mal, há muitos anos. Vi que o leite é um dos alimentos que é recomendado evitar, mas os seus derivados como o iogurte não. Por quê? Tudo que estava no leite está no iogurte, principalmente o caseiro. Entrei na menopausa (e a enxaqueca continua), mas não faço nenhum tipo de reposição hormonal, e acho o leite importante p/ evitar a osteoporose, sendo a fonte com grande quantidade de cálcio. É um dilema: tomar ou não tomar leite para evitar a enxaqueca.

Esta pergunta é muito importante, e é com muita alegria que recebo esta oportunidade de tocar no assunto leite versus iogurte.

O leite, em seu estado original (ou seja, recém-saído de uma vaquinha saudável, criada solta e não em confinamento, que não recebe hormônios e se alimenta não de ração mas sim de pasto – sem agrotóxicos – em suma, uma vaquinha feliz!), é um alimento muito saudável, denso em nutrientes importantíssimos, que nutriu nossos antepassados das mais variadas partes do planeta, em toda a sua jornada ao longo da História.

Com o adensamento das cidades e a Revolução Industrial, a criação das vacas deixou de ser atributo de indivíduos que valorizavam os animais, passando a pessoas pagas para tal função, não necessariamente fazendo isso por vocação ou amor. As vacas se transformaram, de companheiras do homem, em fábricas de leite. O leite era ordenhado por pessoas mal-pagas, sem nenhuma noção de higiene. As vacas foram transferidas do campo para lotes de confinamento, e alimentadas com grãos cereais e uma série de alimentos inapropriados.

As epidemias, nessa época, foram uma conseqüência natural. Tuberculose, brucelose, cólera e tantas outras, ceifaram muitas vidas.

De repente, os cientistas da segunda metade do Século 19 descobriram os micróbios. Concluiu-se, com razão, que eram eles os responsáveis pelas doenças que causavam epidemias. Em seguida, descobriu-se que a fervura matava os micróbios. Nasce a pasteurização.

Dentro desse contexto de falta absoluta de higiene, infecções, doenças, epidemias e alta mortalidade no Século 19, a pasteurização mudou drasticamente o cenário. Bastava submeter o leite sujo e contaminado a uma alta temperatura… e matavam-se os micróbios!

Cuidados de higiene nos estábulos, na ordenha, nos funcionários, no armazenamento do leite? Para que?? A pasteurização mata tudo!

De fato, mata. Inclusive o próprio leite.

O que, naquela época, não se sabia, é que existem componentes do leite cuja estrutura química sofre modificações com a pasteurização. E essas modificações tornam tais componentes prejudiciais à nossa saúde, facilitando inclusive o surgimento de reações inflamatórias de toda espécie. E onde há inflamação, há dor.

O mais sensato, face à potencial contaminação por micróbios nocivos, seria tirar o leite de vacas saudáveis, que se nutrem de capim e pasto (alimentos que a natureza lhes reservou para se manterem saudáveis); e comercializar esse leite como um produto altamente perecível. Isso é impossível numa mentalidade industrial cujo principal objetivo é o lucro, não a saúde. Afinal, o leite de verdade (não pasteurizado, portanto cru) pode facilmente azedar ou coalhar – e como explicar isso para o consumidor?

A propósito, leite cru azedo ou coalhado é tão ou mais saudável que a versão original. Essa transformação (na verdade, em uma forma de iogurte) é levada a cabo pelas bactérias benéficas que habitam o leite (lactobacilos vivos). Essas mesmas bactérias fazem um bem imenso ao nosso organismo e protegem o leite cru de contaminações por micróbios nocivos. Os lactobacilos, habitantes naturais do leite, morrem todos com a pasteurização, tornando-o vulnerável à contaminação pelo primeiro micróbio nocivo que aparecer. Esse sim é um produto perigoso!

Se a estrutura química do leite é modificada pela pasteurização a ponto de se tornar estranha ao nosso sistema imunológico, a transformação desse leite – mesmo pasteurizado – em iogurte, modifica novamente a estrutura molecular do leite de modo a neutralizar o potencial malefício.

Por isso, minha dica desta semana é: substitua o leite pelo iogurte em sua vida.

Cuide apenas para que o iogurte seja integral e não desnatado. Quanto menos processamento, melhor.

Lembre-se que não estou me referindo aos iogurtes que já vêm com sabor de frutas, repletos de corantes, conservantes e outras substâncias químicas. Prefira o iogurte natural, que você pode bater no liqüidificador com a fruta da sua preferência.

É muito importante compreender o funcionamento de nosso corpo para manter a confiança na amamentação.

As imagens abaixo estão num infográfico do site BEBÊ.COM.BR. Vale a pena passar lá para conferir também as matérias sobre amamentação que se seguem às mesmas.

Por Diogo Sponchiato

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*artigo original do Correio do Brasil

Por Rui Martins – de Berna

Foi quase por acaso que descobri a notícia e aproveito para louvar o trabalho dos colegas da Agência Câmara e igualmente o governo responsável pela criação desse serviço, que permite-nos acompanhar o trâmite de projetos de leis ou emendas na Câmara. Existe um serviço similar de informação no Senado.

Acompanhei há alguns anos a luta que se travava, em Genebra, na Assembléia Mundial da Saúde, para se evitar que grandes multinacionais desistimulassem o uso do leite materno em favor do leite maternizado. O Brasil tinha ação de linha de frente e se contrapunha aos grupos que controlam o mercado do leite em pó para crianças principalmente em países menos desenvolvidos e conseguem convencer as mães, de maneira indireta, como proteção do busto feminino, comodidade e daí para frente, a usarem a mamadeira tão logo nasça o bebê. Em muitas maternidades, a mamãe recebe como presente todo um kit ou equipamento para amamentar seu bebê dessa maneira.

Em países desenvolvidos, os europeus e na Suíça por exemplo, essa ação de marketing ou de marqueteiros que chegam a agir em colaboração com maternidades é proibida. A Organização Mundial da Saúde nessa assembléia citada confirmou orientações já dadas pela Unicef em favor do aleitamento materno e recomendou aos países participantes a adoção de leis proibindo a amamentação por substitutivos maternizados, pelo menos até os seis meses do bebê.

Além de ser uma constatação científica que o leite materno protege o bebê de uma série de infecções e mesmo de doenças no futuro, esse incentivo ao aleitamento materno tem repercussões na própria economia do país, já que bebês mais sadios e menos propensos a doenças significam menos despesas com a saúde pública. Fala-se também que dar o seio ao bebê evita o câncer da mama, enquanto bebês alimentados com leite não materno têm propensão para a obesidade.

O ponto de vista brasileiro foi vencedor com o apoio de outros países e saiu derrotado o poderoso lobby dos produtores de leite maternizado, muito forte nos países asiáticos e africanos (onde já houve denúncias contra essas multinacionais, já que muitas mães preparavam as mamadeiras com água contaminada ou não fervida em lugar de amamentarem seus bebês com seus seios fartos) e dentro do Brasil.

No encontro que se seguiu, ainda na OMS, sobre a maneira ética de se aplicar a orientação dessa organização que zela pela saúde mundial e ligada à ONU, definiram-se modalidades de rótulos a serem colados nas embalagens dos produtos à venda, mas destinados a casos especiais de aleitamento e não recomendados aos bebês normais.

O Brasil tranformou, então, em lei um texto a ser impresso na parte frontal dos rótulos dos produtos destinados às crianças até três anos com os seguintes dizeres – “O Ministério da Saúde adverte: Este produto não deve ser usado para alimentar crianças menores de um ano de idade. O aleitamento materno evita infecções e alergias e é recomendado até os dois anos de idade ou mais.”

Foi a lei 11.265/06 que, em maio do ano seguinte, atenuou a advertência, em certos produtos, substituindo a referência ao Ministério da Saúde pela expressão “Aviso importante”. Era de se esperar que o assunto estivesse terminado, por transformar em lei uma constatação científica capaz de beneficiar milhões de bebês brasileiros.

Ora, embora nos países como a Suíça, sede de uma conhecida e importante multinacional fabricante de leite em pó maternizado, nem se possa sonhar em reverter uma lei favorável ao aleitamento materno, isso ainda é possível no Brasil, onde os interesses comerciais se sobrepõem aos de saúde.

E, ainda no mesmo anos de 2006, surgiu uma proposta de substitutivo amenizando a advertência do rótulo, para que o uso da mamadeira pudesse ser mantido e assim garantir o escoamento da produção leiteira de origem bovina e sua transformação no leite em pó para amamentar bebês, que se pode comprar até em supermercados.

Excelente a posição da deputada Rita Camata que, em novembro do ano passado, num importante parecer da Comissão de Seguridade Social e Família rejeitou o substitutivo, mesmo porque nele está previsto se tirar a advertência e colocá-la com um texto bem mais ameno, num dos lados da embalagem, onde já não é tão visível.

Porém o lobby não descansou e agora um outro parecer, do deputado Colbert Martins (PMDB- Bahia) ( que não é meu parente), da Comissão de Justiça e Cidadania, aprovou o substitutivo que praticamente encobre a preocupação da OMS com a saúde das crianças. Comparem – o texto amenizado passará a ser o seguinte, se os deputados aceitarem as manobras do lobby contra o aleitamento materno: “Aviso importante: O aleitamento materno é insubstituível, evita infecções e alergias e é recomendado até os 2 (dois) anos de idade ou mais “.
O texto, transferido para a lateral da embalagem e provavelmente em letras minúsculas, perde sua objetividade e torna o aleitamento uma simples recomendação.

É assim que certos parlamentares constróem o futuro do nosso país.

child health clinic Bongo near Bolgatanga

Como tenho um forte engajamento em amamentação, tanto pela Matrice quanto pela IBFAN, não são raras as vezes que me deparo com noticias relacionada com esse tema. Outro dia achei uma noticia relacionado ao Timor Leste. O Timor Leste ainda esta muito abalado depois da guerra.

O que me faz postar a noticia aqui?A mulher do primeiro ministro do Timor Leste, Kirsty Sword Gusmão, dirige uma Fundação chamada  Alola, esta fundação tem atividades em: áreas da saúde materno-infantil, educação, apoio jurídico e desenvolvimento económico. O lema da fundação é: “O lema da fundação é “mulher forte, nação forte”, porque acredita esta Fundação acredita que:  quando as mulheres têm boa qualidade de vida e gozam de um estatuto melhor, há mais desenvolvimento!

Sua Fundaçãotambém desenvolve trabalhos relacionados ao aleitamento infantil.  Neste aspecto a fundação luta para mudar a mentalidade da populaçao. Segundo, Kirsty Sword Gusmão, “as mulheres deixam de amamentar muito cedo por causa das pressões dos familiares que dizem que o bebé precisa mais do que leite materno para sobreviver”,ela  ainda diz que gostaria que as mudanças fossem mais rápidas! Gostou da reportagem? esta inteirinha aqui

Pois é… Mulher forte, nação forte! Me apaixonei pelo LEMA! Se morasse no Timor ia querer me envolver com essa Fundação!

imagem aqui

Curvas de crescimento

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por Dr. Carlos González

Os que estão com “baixo peso”

Em alguns casos, o problema não começa pelas mamadas “muito curtas”, mas pelo peso “muito baixo”. No mundo há pessoas de todos os tamanhos, e qualquer manhã, quando vamos comprar pão, cruzamos com pessoas que pesam 50 kg e outras que pesam 100 kg. Você realmente acha que essas pessoas pesavam o mesmo quando tinham 3 meses? Por que é tão difícil aceitar as diferenças no peso dos filhos?

Tenho um bebê de 3 meses que é amamentada. Até agora, ela vinha ganhando peso bem, 200 ou 250 g por semana. Duas semanas atrás, eu a levei ao pediatra e quando ele a pesou só tinha engordado 80 g. Ela nasceu com 3200 g e agora está com 5820 g. A pediatra recomendou uma “ajuda”, mas quando eu dou a mamadeira, ela recusa. Também comprei outros bicos, porque ela não aceita a chupeta, ela continua não aceitando, começa a chorar e passa até quatro ou cinco horas sem mamar no peito; tentei colocar no leite um pouco de papinha e dar com a colher, mas ela também não quer. Ela só quer saber de mamar. Mas eu não posso continuar assim, estou preocupada com saúde dela, pois não ganha quase peso e a pediatra diz que ela está abaixo da curva.

Abaixo de que curva? De acordo com os gráficos norte-americanos de desenvolvimento, o peso dessa menina está acima da média. Ela ganhou 2620 g em 3 meses, mais de 850 g por mês. A única medida que não está bem é a que mede a paciência da mãe. Quantas horas mais de angústia, quantas idas à farmácia para comprar novas mamadeiras e novos leites, apenas porque alguém interpretou mal um gráfico? Quantas mamadeiras um bebê terá de recusar para mostrar que ele não as quer?

Este exemplo ilustra dois problemas fundamentais: de um lado a interpretação generalizada dos gráficos; de outro, o ritmo de crescimento dos bebês amamentados.

O crescimento de crianças de peito

Os gráficos de peso mais comuns foram desenvolvidos há alguns anos, quando muitos bebês tomavam mamadeira, e os que mamavam no peito o faziam só por umas semanas. Atualmente, mais e mais bebês são amamentados durante meses e eles não seguem os antigos gráficos. Vários estudos (1,2) feitos nos EUA, Canadá e Europa mostram que bebês amamentados geralmente ganham peso mais rápido no primeiro mês do que mostram os gráficos, mas depois eles começam a perder velocidade e vão baixando de percentil. Por volta de seis meses eles perdem a liderança que obtiveram com o ganho de peso no primeiro ano, e mantêm até 1 ano um peso “baixo” de acordo com os gráficos antigos. Enquanto estou escrevendo esse livro, a OMS e o UNICEF estão preparando novos gráficos baseados em bebês amamentados, que logo substituirão aos antigos  . Não se trata de fazer gráficos para bebês de peito e outros diferentes para crianças que tomam mamadeira; os mesmos gráficos serão usados para todos. Enquanto isso, muitas mães levarão grandes sustos, porque dirão quando seu bebê tiver dois ou três meses que ele está “caindo” de peso, ou aos oito ou nove meses que seu filho está com “baixo peso” Isso não é verdade, seu bebê está bem.

Por que o crescimento de um bebê amamentado é tão diferente de um que toma mamadeira? Não temos muita certeza, mas em todo caso, não é por falta de alimento. Durante o primeiro mês, quando só tomam leite, bebês amamentados pesam o mesmo ou mais. Entre seis e doze meses, quando tomam papinhas além do leite, bebês amamentados pesam um pouco menos. Se fosse verdade a frase “o peito já não sustenta” (o que é uma grande bobagem uma vez que o leite materno alimenta mais que a mamadeira e mais que as papinhas), a criança ficaria com fome e comeria mais papinha e consequentemente ganharia o mesmo peso do bebê de mamadeira. A diferença é mais profunda; por alguma razão, leites artificiais levam a um padrão de crescimento que não bate com o padrão de crescimento do bebê amamentado.

Na primeira edição deste livro, eu escrevi: “Nós não sabemos quais consequências pode ter esse crescimento excessivo”. Agora já sabemos. Muitos estudos (4,5) demonstraram que bebês que foram amamentados por menos de seis meses têm taxas mais altas de obesidade e têm mais chances de apresentar sobrepeso e obesidade entre os 4 e os 6 anos.

Nem todas as crianças crescem no mesmo ritmo

Tenho uma filha de 8 meses e nos últimos 4 meses ela não ganhou peso, seu peso durante quatro meses é de 7.450 g e a altura aumentou pouco a pouco até os 71 cm que ela tem agora. O pediatra dela me disse que se ela não ganhar peso esse mês, vai solicitar exames de sangue, para ver se ela está com algum problema; se não é porque é inapetente e ponto.
Comer, come muito pouco. Ela recusa a colher e quando eu a forcei a comer com a colher, ela vomitou tudo. Continuo dando tudo com mamadeira: frutas, papinhas e cereais.

Certamente não é “normal” (no sentido de “comum”) que um bebê não ganhe nada de peso entre 4 e 8 meses. Para descobrir se além de pouco comum é também patológico, , é preciso considerar outros dados, entre eles os exames que prudentemente pediu o pediatra para ter certeza que o bebê não está doente. Mas se nada for detectado, é melhor esperar pacientemente “é inapetente e ponto”. Especialmente nesse caso em que também não é comum pesar tanto aos quatro meses; ela estava praticamente no percentil 95. A altura aos aos oito é grande, mais que a média.

Todos os exames foram normais e aos 13 meses essa menina estava pesando 8 kg e continuava sem querer comer. Parece que ao invés de manter um lento e constante ganho de peso, ela ganhou todo seu peso nos primeiros 4 meses e depois parou de ganhar.

Existe um ritmo de crescimento especial que geralmente leva os pais à loucura, chama-se “atraso constitucional do crescimento “. É apenas uma variação do normal, não uma doença. São crianças que não seguem nenhum gráfico; elas têm a sua própria curva de crescimento. Elas nascem com peso normal e crescer normalmente durante uns meses. Mas em algum momento entre o terceiro e o sexto mês elas estacionam e começam a crescer lentamente, tanto em peso como em altura. Mas, isso sim, seu peso é adequado a sua altura. O pediatra pode pedir exames, mas tudo estará normal. Eles ficam no limite ou fora dos gráficos por dois anos, mas por volta dos dois ou três anos eles começarão a crescer mais rápido até atingir uma altura final completamente normal e são adultos de estatura mediana. Isso é uma característica hereditária e pode ser muito tranquilizante quando as avós finalmente admitem que o pai ou o tio “também era muito miúdo no início e o pediatra vivia dando vitaminas”, mas no final de tudo ele cresceu. Veja um típico exemplo:

Minha filha tem dezoito meses e, felizmente, ainda mama no peito apesar dos comentários negativos de 99% das pessoas. O problema é que desde os 4 meses, quando eu voltei a trabalhar, ela não come bem. Ela começou a perder peso e agora está com 73,2 cm e 8.690 g. Ela fez exames e está tudo normal.

Aos dezoito meses, de acordo com os gráficos americanos antigos, uma menina no percentil 5 deveria ter 8.920g e 76 cm. Entretanto, para uma menina de 73cm, o peso está acima do percentil 25. Ela foi ao endocrinologista e o hormônio do crescimento está normal. Então, tudo que se tem a fazer é esperar alguns anos.

Logicamente, uma criança que cresce tão devagar come ainda menos que as outras crianças.

NOTA DO TRADUTOR: Os novos gráficos da OMS foram lançados em 2007.

Do livro Mi niño no me come de Carlos González

Tradução: Fernanda Hack e Luciana Freitas
Revisão: Luciana Freitas

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Por Carlos González

As mães que continuam amamentando após um ano enfrentam muitos problemas, sobretudo devido às críticas de quem crê que isso “não é normal” e as ameaçam com todo tipo de doenças e catástrofes.

Na realidade, não se conhece qual é a idade “natural” do desmame no ser humano. Cada cultura tem a esse respeito seus próprios costumes, apesar de que nenhuma desmama tão cedo quanto a cultura ocidental do século XX. A antropóloga norte-americana Katherine Dettwyler (1) abordou a questão a partir da zoologia comparada, generalizando uma hipotética idade para o desmame no ser humano a partir dos dados referentes a outros primatas, a partir de vários parâmetros que se correlacionam de forma mais ou menos exata com a amamentação:

a) Segundo o peso do nascimento
Costuma-se dizer que os mamíferos se desmamam quando triplicam o peso do nascimento. Isso só é válido para os animais pequenos; os animais de tamanho parecido com o nosso se desmamam após quadruplicar o peso do nascimento, o que seria aproximadamente aos dois anos e meio.

b) Segundo o peso do adulto
Muitos mamíferos se desmamam ao alcançar aproximadamente a terça parte do peso do adulto. Como em nossa espécie o homem adulto é maior, isso representaria um desmame mais tardio: os meninos com sete anos (ao alcançar os 23 kg), e as meninas um pouco antes dos seis anos (com 19 kg).

c) Segundo o peso da mãe

Os pesquisadores Harvey e Clutton-Brock constataram que, em um grande número de primatas, a idade do desmame em dias é igual ao peso de uma fêmea adulta em gramas multiplicado por 2,71. Aplicando essa fórmula a uma mãe de 55 quilos, corresponderia a desmamar aos três anos e quatro meses.

d) Segundo a duração da gestação
A relação entre a duração da amamentação e a duração da gestação é muito variável entre os primatas, mas parece ter relação com o tamanho dos indivíduos. Nos macacos pequenos, essa relação costuma ser inferior a dois; mas entre nossos parentes mais próximos (em parentesco e tamanho), a relação é de 6,4 para o chimpanzé e de 6,18 para o gorila. Se assumirmos que para o ser humano essa relação deverá ser também superior a 6, o resultado é um mínimo de quatro anos e meio de amamentação.

e) Segundo a dentição
O desmame pode acontecer em muitos primatas quando ocorre a erupção do
primeiro molar permanente, o que corresponderia aos 6 anos do ser humano.

Em conclusão, Dettwyler supõe que a idade normal do desmame no ser humano é entre os dois anos e meio e os sete anos.

No congresso espanhol de grupos de mães, ocorrido no ano de 2001 em Zaragoza, realizamos uma pesquisa para averiguar qual era a duração da amamentação entre as mães participantes, e que vantagens e desvantagens encontravam as mães que amamentam bebês após um ano.
Trata-se de uma amostra altamente selecionada (mães com suficiente interesse e meios econômicos para participar do evento), e que de modo algum representa a sociedade espanhola. Mas nos permite afirmar que a amamentação depois de um ano existe, ainda que seja em um grupo pequeno.

Responderam ao questionário 95 mães que juntas têm 174 filhos. Trabalham fora de casa 74, e 78 haviam amamentado mais de um ano. Somente 15 mães haviam praticado amamentação tandem (ou seja, amamentado dois filhos de idades diferentes ao mesmo tempo). Portanto, não é preciso ser dona de casa
para amamentar por mais de 1 ano.

Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas
as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.

No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com uma idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, isto fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.

A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação.

Considerando que cada mãe pode ter vários amigos ou vários pediatras, alguns grupos apareciam ao mesmo tempo aprovando e criticando. Observamos que o papel dos profissionais de saúde é em geral negativo, salvo no caso das parteiras. E, em todo caso, parecem influenciar menos, tanto para o bem como para o mal, que parentes e amigas. Como se nos mantivéssemos à margem.

Destaque muito positivo para o papel do marido, que quase nunca critica e que é a pessoa que mais aprova. Duvidamos que isto reflita um grande interesse pela amamentação entre os maridos espanhóis em geral, e achamos que , na verdade,aconteceu uma seleção natural: o apoio incondicional do marido é quase imprescindível para que uma mãe consiga amamentar, desfrutar da sua experiência, envolver-se num grupo de apoio e participar de um congresso sobre amamentação.

Por último, perguntamos o que foi mais agradável e o que foi mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

O que é mais agradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Contato físico, olhar, vínculo

36
Relação especial, amor, algo teu

34
Felicidade materna, realização pessoal

20
Comodidade e liberdade

14
O melhor alimento

12
Bebê feliz

10
Consolo ou calma para o bebê

8
É algo natural

3
Mais saudável para o bebê

6
Carinho

1

O que é mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Críticas de outras pessoas

33
Nada

14
Mamadas noturnas

10
Pedir muito quando a mãe não deseja

4
Difícil de conciliar com irmãos maiores

4
Mordidas

4
Desmame

4
Falta de informação profissional e de apoio social

4
Dependência

4
Sensação de que não vai deixar de mamar

2
Não poder sair de noite

2
Dificuldade para conciliar com inquietudes maternas

2
Desinformação (medo absurdo)

1
Problemas mamários (mastites, rachaduras)

1
Angústia

1

Conforme era esperado, essas mães encontram muito mais satisfações que problemas (de outro modo, não o teriam feito). Entre as vantagens se dá muito mais importância aos aspectos afetivos e psicológicos que à nutrição e
à saúde física; enquanto que entre os inconvenientes destacam-se as críticas recebidas de outras pessoas, e um grande número de mães espontaneamente afirmam que não houve nada desagradável em sua experiência.

Portanto, a amamentação após uma ano de idade do bebê é uma realidade entre algumas mulheres espanholas, sobretudo de classe média-alta, e parece que a prática está crescendo. É preciso que nós profissionais de saúde adotemos um papel mais efetivo de apoio às mães que amamentam, e que contribuamos na educação da população para que estas mães recebam o respeito que merecem.

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas

Original em espanhol

Dica de reciclar

reciclar

 

Essa dica foi dada na lista de discussão da Matrice pela querida Ana Luisa … achei a cara da materna a dica e ai vai

Segue dica de uma instituiçao (ONG Oxigênio) em Sao Paulo, que, em parceria com a Secretaria do meio Ambiente, retira doaçoes em casa de computadores e periféricos (e outros eletronicos em geral, tipo celulares/baterias/mouses/teclados/i-pods/etc…), para re-utilizaçào por populações carentes!! (muitas crianças e adolescentes já beneficiados)

Podem estar funcionando ou mesmo quebrados, pois eles tem uma oficina para conserto e reaproveitamento de peças em Guarulhos. Ótima dica pra quem quer se desfazer da tranqueira tecnológica obsoleta sem poluir o planeta e ainda ajudando os menos favorecidos!!

 Basta ligar e agendar para que eles peguem na sua casa (as vezes demora um pouco, pois dispõe de somente uma pessoa para arrecadar todas as doaçoes, mas eles pegam_no meu caso demorou um mes e meio)

 Entao aí vai: OXIGENIO responsável: Ivana fone 3051-3420 www.oxigenio.org.br

 e-mail: crc.guarulhos@oxigenio.org.br endereço: Rua Ispéria (proximo a Av Nove Julho / esquina com R.Maestro Elias Lobo / na esquina tem o Consulado de El Salvador)

amor acima de tudo1

 Há mais ou menos um ano. Acima de tudo muito amor!

 

Pois é… há três anos nascia minha terceira filha; a Matrice. Matrice é um grupo de mães que ajudam outras mães a amamentarem. O grupo baseia-se na experiências de outras mães e suas experiência em amamentar. Somos pró aleitamento materno.

Mas naquele dia, da primeira reunião da Matrice, nasceram três coisas lindas: Um grupo de mães em São Paulo, uma nova mulher Fabíola e uma linda amizade entre três mulheres. Sim, foi muito importante para mim descobrir que poderia ser uma mulher produtiva depois de ter ficado em casa com minha filha. Essa mulher produtiva que nasceu descobriu que; poderia ser produtiva sem ser competitiva, onde filhos, peitos e tudo que cerca a maternidade cabiam me deu esperança de vida e da vida. A Matrice me deu novos rumas a vida, conheci pessoas, conheci lugares, aprendi coisas que jamais imaginei na vida. E a Matrice sou muita grata!

Trabalhar com a Ana Basaglia (vulgo Ana B) e com a Analy foi enriquecedor. Foram tarde e tardes, noites e noites de muita proximidade. Onde tinhamos muita pipoca, risadas, discussão, trocas, Leite Materno, Ocitocionas, filhos, maridos, crianças dormindo pelo chão… muita maternagem. Quase sempre na casa da Analy. Sonhávamos e sonhamos, entre uma mamada e outra de nossos filhos, em um plano onde cambem peitos, filhos emuito mais. Desta relação surgiu uma amizade bem fraternal entre as três. Sorte a minha! Azar o delas (kkk) A Analy: obrigada pela sua profundidade, dedicação e coragem. A Ana B: obrigada pela sua leveza, improvisão e certezas de que a diferença é tudo, certeza que tudo vai dar certo e que nossa amizade é superior a tudo!

E disto tudo tiramos um grupo de mães que hoje tem um lindo caminho traçado e um lindo caminho a ser seguido. Desejo então a Matrice um lindo futuro, cercado de mães, leite, filhos, ética e que nunca nos percamos em nossos caminhos. Porque eu só saiu da Matrice expulsa!

Deixo neste post um singelo convite de aniversário da Matrice. Onde? Na Casa Materna. Rua Natingui, 380. Que horas? 13:30. Confira o convite aqui

Bjocas enormes!

Ler para bebês

Ler um livro a um bebê… aí está o que pode parecer ridículo!
O que é que um bebezinho de 3 meses pode compreender dos livros?

bebe-lendo-livro

Bem mais do que a gente acha… Desde o trabalho da pediatra e psicanalista Francisca Dolto, sabe-se que os pequeninos são receptivos à palavra, à linguagem, mesmo se não falam. Dolto diz que esta criaturinha é um individuo em formação (do francês: en devenir) e que é importante dirigir-se à ele como à uma pessoa. E se não compreendem bem claramente as palavras,“as crianças são sensíveis às entonações da voz que anunciam seja o riso, a cólera, o medo… “Isso é chamado de carícias auditivas. E eles têm necessidade destas carícias”. Estas carícias lhes são transmitidas na vida diária ao mesmo tempo pela língua dos fatos e pela língua do recitado (do francês: récit).
A língua dos fatos, é à que é utilizada quando os interlocutores estão presença um do outro. A língua do recitado é a narração. Situa os acontecimentos no tempo e o espaço. É a língua que reencontra-se nos livros. Graças ao que lhes contamos, as crianças vão ter acesso ao mundo do imaginário e do pensamento.

Se os pequenos de 0 a 3 anos não compreendem claramente tudo quando lhesé lida uma história em voz alta, sabe-se hoje que bem antes de saber ler, eles sabem que a escrita tem um sentido.
“Este primeiro contato com o imaginário, suscitado pela leitura dos primeiros álbuns aos bebés, é um apoio essencial para permitir-lhes melhor evoluir, melhor situar-se na comunidade onde vão viver e crescer”, diz Marie Bonnafé autora do livro Lire c’est bon pour les bébés.
Ocasião de divisão, maneira de tornar mundo mais “legível”, transmitir a importância da linguagem, da divisão, do lúdico, da estética, da poesia como diz também o autor Patrick Ben Soussan em ” Livros e bebés”… falar, discutir, trocar, sonhar, tudo é possível com os livros.
E tem algo mais maravilhoso que compartilhar um momento privilegiado com uma criança contando-lhe uma história enquanto ele está jogado nos seus braços???
Boa sorte, há hoje uma multidão de obras de qualidade a compartilhar com os pequenos.

Site : http://arbrealivres.free.fr/ Tradução: Ana Silvia Prata

Leite? Vilão?

 

Leite

Adulto só deve evitar leite de vaca em caso de intolerância ou alergia

JULLIANE SILVEIRA

da Folha de S.Paulo

“Alguns adoram, outros não podem nem sentir o cheiro. Há quem prefira a versão desnatada e quem não abra mão de suas gorduras, sob alegação de que o sabor é inigualável. O fato é que o leite de vaca, um dos alimentos mais consumidos no Ocidente, sempre causou polêmicas entre os leigos. E, recentemente, tem alimentado discussões também entre os especialistas. Para alguns, o leite é responsável por inchaços abdominais, diarreia, constipação intestinal e problemas respiratórios e, por isso, deveria ser excluído da dieta dos adultos. Para reforçar a tese, existe a ideia de que nenhum outro mamífero consome leite na fase adulta. “No Ocidente, conseguimos industrializar o leite e o consumimos até o fim da vida. Mas muitas pessoas não relacionam reações do corpo, como uma constipação, a uma intolerância leve ao alimento. O princípio da medicina chinesa, por exemplo, é observar o equilíbrio do paciente. Se há algum desequilíbrio na parte respiratória ou gastrointestinal, a suspeita recai sobre o leite”, diz a nutricionista Kátia Camargo, que pesquisa Medicina Tradicional Chinesa. Segundo ela, os orientais deixam de consumir o alimento quando crescem porque acreditam que não precisam dele na fase adulta. “A alimentação deles supre a necessidade de cálcio porque é rica em vegetais, soja fermentada e tofu, alimentos que contêm boas quantidades desse mineral.” A nutróloga Mariela Silveira, membro do Comitê Diretivo do Kurotel Centro de Longevidade e Spa, também acredita que o leite de vaca contribua para desencadear processos inflamatórios em organismos mais sensíveis. “Um alimento que é bom para um indivíduo não será necessariamente bom para outro. O leite está muito ligado ao sistema imunológico. Pacientes com doenças autoimunes e problemas respiratórios apresentam melhora após deixar de consumi-lo”, afirma. A equipe de médicos e nutricionistas do spa costuma sugerir a hóspedes com distúrbios gastrointestinais que retirem laticínios da dieta. Segundo Silveira, boa parte dos pacientes sente melhora nos sintomas após tomar essa medida. Para engrossar o coro, uma pesquisa com 98 crianças que sofriam de constipação intestinal mostrou relação entre o distúrbio e a ingestão do alimento. Ao retirar leite e derivados da dieta, 35% melhoraram. “Quando estudamos um pouco mais sobre a conexão do alimento com o organismo, observamos como é a reação com o paciente. O alimento sozinho é uma coisa e no organismo é outra”, afirma Daniela Jobst, membro do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional e do Instituto de Medicina Funcional dos Estados Unidos, responsável pelo trabalho, que ainda não foi publicado. Para ela, apesar de o leite conter altos teores de cálcio, o organismo não absorve boa parte desse nutriente. Jobst e outros especialistas ouvidos pela Folha defendem que é possível garantir o aporte diário de cálcio por meio de outros alimentos, como vegetais verde-escuros, peixes e castanhas. “Pessoas hipersensíveis não conseguem aproveitar o cálcio do leite porque as moléculas do mineral não são quebradas corretamente e acabam não sendo absorvidas”, diz. A favor Do outro lado, estão especialistas que defendem a ingestão de leite e derivados, por serem a principal fonte de cálcio, mineral que ajuda no fortalecimento dos ossos. “O leite é um alimento importantíssimo na nossa dieta. A partir do momento em que não precisamos do leite materno, precisamos do de vaca, e não há outro alimento que nos dê a quantidade suficiente de cálcio. Se a pessoa não tiver intolerância ou alergia, não vai acontecer nada”, diz a gastroenterologista Lígia Guimarães, do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos. O que ocorre, do ponto de vista dos defensores do leite, é uma prevalência alta de problemas relacionados ao alimento na população. Estima-se que até 20% tenham alguma deficiência na produção de lactase, a enzima responsável por digerir o açúcar do leite. E cerca de 10% das crianças e 5% dos adultos sofrem de alergia às proteínas presentes nos laticínios. Em alguns casos, a intolerância não é detectada nem por exames específicos. “Se a pessoa passa mal ao tomar leite, mesmo que não tenha intolerância diagnosticada, pode ser que, na verdade, ela apresente algum grau do problema”, acrescenta Guimarães. O leite integral também pode causar desconforto gastrointestinal por causa do teor elevado de gorduras. Na fase adulta, o mais indicado é escolher a versão desnatada ou a semidesnatada, que mantêm os níveis de cálcio sem causar esse tipo de transtorno.”

 

o texto é da folha de são paulo. link aqui.

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