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Nos links abaixo, uma linda e emocionante reportagem sobre as parteiras

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Educacao intuitiva

OS OITO PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO INTUITIVA

retirado integralmente de http://www.naturkinda.com/educacao_int.html

1. Preparação para o parto

A ligação precoce com o bebé começa com a preparação pré-natal e a participação atenta e activa no parto. É possível tomar decisões fundamentadas sobre o tipo de parto que deseja e que irá ajudar a criar uma experiência positiva para si e para o seu bebé.

COMPROMETA-SE A MANTER UMA RELAÇÃO FORTE COM O SEU COMPANHEIRO: Discutam antecipadamente a filosofia de educação. Independentemente de os pais viverem juntos, é muito importante que, ao tomar as decisões, as necessidades e bem-estar do bebé estejam em primeiro lugar.

EDUCAÇÃO PRÉ-CONCEPÇÃO: Sempre que possível, prepare-se mental, física e espiritualmente antes de conceber uma criança. Leia, faça perguntas e tome muito cuidado consigo, seguindo uma dieta nutritiva e fazendo exercício regularmente.

GRAVIDEZ: Crie um ambiente uterino pacífico evitando o stress. Os sentimentos e experiências da mãe afectam o bebé em desenvolvimento.

DECIDA-SE POR UMA EDUCAÇÃO CONSCIENCIOSA: Aprenda e compreenda o que é ter um filho.

ESTEJA ATENTA E ATIVA DURANTE O PARTO DO SEU BÉBÉ: Prepare-se, aprenda o que esperar e compreenda as opções que tem à sua disposição. Em geral, quanto menos invasivo for o parto, melhor para a mãe e o bebé.

PARTICIPE EM AULAS DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO E DE AMAMENTAÇÃO: São importantes para ajudar os pais a tomar decisões fundamentadas.

2. Reação emocional

Compreender e responder de forma sensível às necessidades emocionais do seu bebé é a pedra basilar da Educação Intuitiva. Lembre-se de que chorar é a forma do seu bebé lhe dizer que está perturbado/a. Criar um laço ou ligação forte como seu bebé é mais do que simplesmente cuidar das necessidades físicas do bebé; inclui também passar tempo agradável interagindo com o seu bebé ou criança diariamente. O processo de ligação é consideravelmente potenciado quando os pais iniciam a brincadeira e interacções animadas.

Não tenha receio de se apaixonar pelo seu bebé.

As origens e motivos comuns para o choro incluem fome, cansaço, desconforto e solidão.

Outros motivos para o choro são:
1. Stress devido a excesso de estimulação
2. Sentir o stress da mãe
3. Necessidade de que lhe peguem ao colo ou o deitem
4. Necessidade de contacto pele contra pele para se sentir seguro
5. Gases e/ou cólicas
6. “Muito necessitado” é um termo utilizado para descrever o temperamento de bebés que estão frequentemente irrequietos. Estes bebés podem necessitar de muito contacto físico próximo, movimento ou atenção afectuosa. Podem também ser sensíveis a um certo alimento sólido ou alimentos ingeridos pela mãe.

3. Amamente o seu bebé

A amamentação satisfaz as necessidades do bebé relativamente à melhor nutrição possível e contacto físico. A amamentação traz muitos benefícios para o bebé, a mãe e a sociedade, e é a forma mais natural de satisfazer a maior parte das necessidades físicas do bebé. Embora a amamentação seja a forma ideal de alimentar um bebé, os pais que não amamentam podem mesmo assim praticar a Educação Intuitiva. Encorajamos os pais que alimentam o bebé com biberão a adoptar comportamentos de “amamentação”. Por outras palavras, pegue no seu bebé, fale-lhe e mude de posição enquanto dá o biberão. Evite a tentação de deixar o bebé só com o biberão, dado que o seu bebé irá beneficiar bastante com o seu contacto e colo.

Vantagens para a mãe e família:
1. Poupa dinheiro – o suficiente durante um ano para comprar um grande electrodoméstico
2. Poupa tempo – não há leite para preparar ou biberões para lavar
3. Prático em casa e em viagens
4. Activa hormonas maternas que promovem comportamentos de ligação e acalmam a mãe
5. Ajuda a mãe a descansar mais
6. Ajuda a proteger a mãe contra o cancro da mama

Vantagens para o bebé:
1. Concebido biologicamente para o bebé humano, contém os nutrientes necessários e na quantidade adequada; é de fácil digestão
2. Confere imunidade a certas doenças e viroses
3. Protege contra alguns tipos de cancro, de acordo com as mais recentes investigações
4. Mantém o bebé próximo da mãe e oferece conforto
5. Ajuda a fortalecer os maxilares, olhos e a formação dos dentes
6. Menor probabilidade de desenvolvimento de alergias
· Evite reger-se pelo relógio ou calendário. Siga as pistas do seu bebé em vez do relógio ou do calendário.
· O desmame é um processo mútuo determinado pela preparação do bebé e da mãe (“Desmame em cooperação”). O código da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) recomenda a amamentação até aos dois anos de idade, no mínimo.

Se der o biberão (mamadeira), adote comportamentos de amamentação:
1. Pegue no seu bebé quando lhe der o biberão, nunca o deixe a só com biberão.
2. Estabeleça um bom contacto visual nos momentos em que o seu bebé está atento e interessado.
3. Mude de posição de um lado para o outro; isto ajuda a fortalecer os olhos do bebé.
4. Fale ao bebé de forma carinhosa nos momentos em que lhe dá o biberão.

4. Transportar o bebé ao colo; o contato afetivo

Transportar o bebé pegando-o ao colo ou utilizando porta-bebés de materiais suaves que mantêm o bebé próximo satisfaz as necessidades do bebé quanto a contacto físico, segurança, estimulação e movimento, que promovem o desenvolvimento óptimo do cérebro. Os bebés a quem é dado muito colo choram menos. O contacto afectivo através da massagem do bebé é uma outra forma excelente de acalmar o bebé e promover o seu desenvolvimento.

· Dar colo ao bebé ajuda a satisfazer as necessidades do bebé de proximidade, contacto e afecto.
· Dar colo ao bebé promove e reforça a ligação emocional dos pais com o bebé.
· O movimento que resulta naturalmente de transportar o bebé ao colo estimula o seu desenvolvimento neurológico.
· Os bebés choram menos quando transportados ao colo.
· Pegar no bebé ao colo ajuda a regular a sua temperatura e ritmo cardíaco.
· O bebé sente-se mais seguro.

Se não transportar o bebé ao colo, esteja atenta:
1. Dê colo ao seu bebé sempre que possível (especialmente se dá biberão).
2. Evite a utilização excessiva de dispositivos para bebés (baloiços, chupetas, baloiços, porta-bebés de plástico).
· Transportar o bebé ao colo facilita as saídas e viagens.
· Os bebés que recebem contacto afectivo através de massagem, colo e outras formas de contacto físico afectuoso ganham peso mais rapidamente, são mais calmos e têm um melhor desenvolvimento intelectual e motor.

5. Partilhar o sono

É importante ser receptivo às necessidades nocturnas do bebé. A API recomenda que se mantenha o bebé numa proximidade íntima, num ambiente de sono seguro. Em muitas culturas é considerado normal e espera-se dos pais que durmam com os seus filhos. Investigações recentes demonstraram que alguns dos benefícios incluem melhor qualidade de sono para as mães e risco reduzido de SMSI (síndrome da morte súbita infantil) para os bebés. A partilha segura da cama inclui um colchão segure e firme e pais que não consomem drogas ou álcool e que não fumam próximo do bebé. Se os pais não se sentirem confortáveis com a ideia de partilhar a cama, lembre-se que a chave é a proximidade íntima e receptividade às necessidades nocturnas do bebé.

A partilha segura da cama* requer:
1. Não fumar junto do bebé
2. Não consumir drogas ou álcool
3. Um colchão firme sem roupas de cama fofas nem animais de peluche
4. Utilizar medidas de segurança tais como protecções na cama ou a colocação do bebé num local seguro na cama da família
5. Evitar espaços de qualquer tipo, por exemplo, entre o colchão e a estrutura da cama ou guias laterais que podem facilmente deslizar para fora do colchão
6. Nunca deixar o bebé numa cama de adulto sem supervisão
7. Nunca colocar o bebé a dormir num sofá ou cadeira.

Vantagens para o bebé:
1. Estudos indicam que as culturas em que os pais dormem com os bebés têm uma incidência reduzida de síndrome de morte súbita infantil (SMSI).
2. Existem mais períodos de sono leve benéficos para criar um ritmo cardíaco estável e padrões respiratórios estáveis.
3. A amamentação é mais bem estabelecida através de mamadas frequentes, que são facilitadas através da partilha da cama.
4. Os bebés sentem-se quentes e seguros, por isso choram menos.

Vantagens para os pais:
1. Mais sono
2. Melhora a duração e quantidade das mamadas
3. A mãe preocupa-se menos com o seu bebé.
4. Os pais desenvolvem uma ligação mais estreita com o bebé.

Se partilhar a cama não resulta para si ou a sua família:
1. Tente outras formas de dormir, especialmente se existirem irmãos mais velhos:
a) Alcofa junto à cama
b) Lado-a-lado: tire um lado da cama de grades e coloque a cama em segurança junto à cama dos pais
c) Colchão, futon ou saco-cama no chão para os filhos mais velhos

2. Estabeleça uma rotina agradável para ir para a cama:
a) Reduza a estimulação desligando a televisão; antes de ir para a cama evite dar ao bebé/criança bebidas ou alimentos que contêm cafeína, tais como leite com chocolate, refrigerantes, chá ou chocolates.
b) Ponha música suave.
c) Dê um banho quente ao bebé/criança.
d) Embale, leia e/ou cante para o seu bebé/criança.

3. As crianças pequenas que têm a sua própria cama vão muitas vezes para a cama mais voluntariamente quando os pais se deitam com elas na sua cama até ficarem bastante sonolentas ou adormecerem. Muitos pais descobriram que os seus filhos rapidamente ultrapassam esta necessidade e acabam por ir para a cama sozinhos sem problemas.

6. Evite separações frequentes ou prolongadas

Os bebés possuem uma necessidade intensa pela presença física de pais afectuosos e receptivos. Através dos cuidados diários e interacções afectuosas formam-se fortes laços entre pais e criança. As separações frequentes ou prolongadas podem interferir com o desenvolvimento de ligações seguras. Tente manter as separações ao mínimo com um bebé pequeno que ainda não fale, e seja receptivo às necessidades do bebé relativamente à sua presença física. As separações longas podem provocar fases de desgosto e que podem afectar a ligação do bebé a si. Se as separações forem inevitáveis devido à sua situação, ajude o seu filho a adaptar-se a elas de forma gradual. Evite a “rotatividade de amas”; a continuidade de cuidados com uma ama constante e afectuosa é crucial. Se trabalha, pode exercer a Educação Intuitiva quando estiver em casa para ajudar a estabelecer novamente uma ligação ao seu bebé.

· As separações frequentes e prolongadas podem prejudicar o processo de ligação e podem ter efeitos para toda a vida no desenvolvimento psicológico e emocional a longo-prazo do bebé.

· Se as separações forem inevitáveis, é extremamente importante haver uma continuidade de cuidados com uma ama constante e afectuosa. Se tiver de deixar o bebé, assegure-se de que a ama faz das necessidades do seu bebé a sua prioridade máxima. Explique-lhe como pretende que ela trate e cuide do bebé. Faça a transição com bastante antecedência de modo a que seja um processo gradual e confortável para o bebé.

· A “rotatividade de amas” – a troca frequente de amas – pode ser muito prejudicial ao processo de ligação.

· Quando voltar a estar com o seu bebé, rodeie-o de amor, atenção e afecto. Isto ajuda o seu bebé a sentir o restabelecimento da ligação, o que fortalece a sua relação.

7. Pratique a disciplina positiva

À medida que uma criança cresce é necessário estabelecer fronteiras e limites. Disciplina positiva, métodos não-violentos e apoio afectuoso promovem o desenvolvimento do auto-controlo e empatia em relação aos outros.

O que significa a palavra “disciplina”? Deriva da palavra “discípulo”, que significa aquele que segue os ensinamentos do seu mestre. Disciplinar é ensinar.

O que é a disciplina positiva? A disciplina positiva começa com a compreensão de que o seu objectivo a longo-prazo é ensinar o seu filho a tomar decisões acertadas como criança e como adulto. Aprendem seguindo bons exemplos e modelos. Transforme-se no tipo de pessoa que quer que o seu filho seja.

Como é que a Educação Intuitiva ajuda no processo de disciplina?

A criança que é produto da Educação Intuitiva aprende que as suas necessidades serão satisfeitas de forma consistente e previsível. A criança aprende a confiar. A confiança é a base da autoridade, e uma figura de autoridade na qual se confia disciplina de forma mais eficaz.
William Sears, MD

1. A Educação Intuitiva constrói alicerces fortes. Uma criança que é criada com amor, empatia e afecto aprende a estabelecer fortes laços de confiança com os seus pais. Uma criança que tem uma forte ligação de confiança é mais fácil de disciplinar.

2. Os pais são capazes de sentir empatia pela criança e compreender o seu ponto de vista.
· É útil aprender as fases do desenvolvimento da criança para compreender o que é um comportamento normal, adequado do ponto de vista do desenvolvimento, de modo a poder reagir de forma adequada. Estes marcos do desenvolvimento incluem:
1. nascimento até aos 6 meses
2. 6 meses até ao ano
3. 1 ano até aos 3 anos
4. 4-5 anos
5. pré-adolescente
6. adolescente
7. adolescência

(O Gesell Institute of Human Development publicou uma série de livros para pais nas diferentes fases do desenvolvimento da criança escritos pelos médicos Ames e Ilg tais como Your One Year Old (A criança de um ano), Your Two Year Old (A criança de dois anos), etc. Muitos pais consideraram estes livros extremamente úteis. Visite a nossa loja e encomende estes e outros livros através do nosso website!)

8. Mantenha o equilíbrio na sua família

O equilíbrio é a chave para evitar o “esgotamento dos pais” e pode ser alcançado cuidando de si através de exercício, descanso e alimentação saudável. As necessidades de um bebé são intensas e imediatas, mas é possível alcançar o equilíbrio na satisfação das necessidades do bebé, assim como das necessidades de outros membros da família.

· Independentemente de ser casado com vários filhos ou pai solteiro com um único filho, é importante recordar que encontrar o equilíbrio é a chave para uma vida familiar saudável. É importante que os pais não se isolem. Devem procurar sistemas de apoio dentro das suas comunidades. Isto pode ser alcançado criando um tipo de família alargada de amigos com ideias semelhantes ou participando em grupos de apoio de pais da API, que oferecem não só apoio como também a oportunidade para pais mais recentes de serem orientados por pais mais experientes.

· Ser um pai recente muitas vezes exige ajudar a mãe a desenvolver uma relação com o seu recém-nascido. Durante os primeiros meses de vida, o bebé irá frequentemente ser a única preocupação da mãe. Certifique-se de que o pai é incluído nas actividades diárias do bebé. O apoio dos pais ajuda as mães a tornar-se mais confiantes e competentes no seu papel de mãe, e a ser bem sucedidas na amamentação.

· É fácil sentir-se “esgotada” e “exausta” pelas exigências da maternidade. Os primeiros meses de vida do bebé podem ser muito intensos e consumir muito tempo. Tentem ser pacientes e sensíveis em relação às necessidades um do outro.

· Seja criativo para encontrar formas de passar tempo com o seu cônjuge/companheiro sem comprometer as necessidades do seu bebé. Jantares à luz de velas ou um piquenique na sala de estar podem ser divertidos e ajudam os casais a estabelecer novamente uma ligação.

· Tenha um amigo, familiar ou ajudante (um adolescente em que possa confiar), que o bebé conheça, que venha brincar com ele e entretê-lo, enquanto os pais têm algum tempo sossegado noutro ponto da casa. Leve-os consigo se sair.

· Esta pessoa pode ajudar com o bebé, mas o bebé será confortado pela proximidade dos pais.

· Compreenda que nos primeiros anos as necessidades do seu filho são mais intensas que nunca, e que “também isto passará”.

· Todos os pais necessitam de apoio! Por vezes pode ser difícil aos pais encontrar o apoio de que necessitam. O aconselhamento profissional pode ser bastante benéfico para ajudar famílias a voltar a encontrar o equilíbrio e para estabelecer uma ligação a recursos ou outros serviços na comunidade.

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O peso do bebê é uma preocupação constante no dia a dia da mamãe. “Será que ele comeu bem?”, “Esse meu bebê parece muito fraquinho”, “Mamou tão pouquinho.” São questionamentos que as mamães fazem regularmente. Algumas dicas simples sobre a alimentação dos bebês podem responder as diversas interrogações na mente dos pais.

Saiba uma verdade que se não bem informada deixa as mamães de cabelo em pé: o bebê pode perder até 10% do peso de nascimento na primeira semana de vida.

Isso porque o bebê dentro da barriga não fazia esforço nenhum e assim que nasce precisa sugar, chorar, regular a temperatura do corpo e tudo mais que o bebê faz, aliada à descida do leite da mamãe, que pode demorar alguns dias para descer ou mesmo regular a quantidade de leite que o bebê precisa.

Um mito que é muito conhecido é que o bebê não engorda porque o leite da mãe é fraco. NÃO existe leite materno fraco. Cada mãe produz o leite que seu bebê precisa e na quantidade certa. O organismo da mulher só precisa regular a quantidade de leite nos primeiros dias depois do parto.

O mito do leite fraco provavelmente apareceu quando algumas mães não posicionavam a pega do bebê ao bico adequadamente ou simplesmente ofereciam somente o primeiro leite que é mais aguado. Explicaremos melhor isso.

Para ficar bem claro o que é a “pega do bebê”. Se o bebê abocanha somente o bico da mamãe não conseguirá retirar muito leite do seio materno, pois essa não é a forma adequada. Além disso, provavelmente o bebê causará ferimentos no bico e perda de peso. As bolsinhas que guardam o leite ficam posicionadas por baixo de toda a aréola do seio e, portanto, o bebê deve abocanhar toda a aréola da mamãe para que o leite saia de maneira adequada e sustente o bebê.

Segunda explicação: primeiro leite é mais aguado. A fonoaudióloga Jamile Elias explica que logo que o bebê começa a sugar é retirado o leite materno que é mais rico em água. Por isso se diz que o bebê nos seis primeiros meses de vida não precisa nem de água. Só de leite materno.

Depois de um tempinho, o leite que é retirado (tão logo saiu o leite mais aguado) é um leite mais rico em gordura, que sustentará e dará peso ao bebê.

Neste caso, o ideal é que o bebê esvazie um peito, pois assim ele terá o leite aguado (normal ao sair logo de começo), além do mais rico um gordura, que vem depois. Se ele beber um pouquinho de um peito e um pouquinho de outro, a probabilidade é que ele beba basicamente o leite “aguado”.

O certo é colocar o bebê em um peito e deixá-lo esvaziar e só depois oferecer o outro. Desse jeito a mamãe garante que o bebê retire do peito o leite anterior, rico em água, e o posterior, rico em gordura.

Fome – Um caso típico. O bebê é colocado no berço e não demora muito para começar a chorar de fome. A mamãe pensa que o leite é fraco. Erro dela. Pois ela pode ter oferecido apenas o leite rico em água, sustentando bem pouco o bebê que chora logo de fome e pode perder peso.

O bebê pode mamar quanto quiser, mas um bebê que fica quase uma hora no peito pode perder mais peso que um bebê que fica apenas dez minutos. Por que isso acontece? O bebê que perde peso mesmo ficando muito tempo pode estar abocanhado de maneira incorreta ou fazendo o peito de chupeta. Isso gera um grande esforço e perda de calorias. Consequentemente ele perde peso.

Já o bebê que mama apenas dez minutos e ganha peso deve fazer a pega corretamente, mamar todo o leite anterior e posterior e ficar satisfeito, não fazendo mais esforço do que precisa.

Fique atenta, mamãe, a todas as informações, mas não acredite em tudo que te falam. Pergunte sempre ao especialista o que é correto e siga as orientações sem “encucar” com os mitos.

Dicas

Verifique a quantidade de xixi que seu bebê faz. Se fizer sempre e em boa quantidade quer dizer que o pequeno está mamando bem. Preocupe-se se faz pouco ou não faz xixi.

O bebê deve ganhar em média 30 gramas por dia por isso a ida ao pediatra periodicamente é importante.

Tente não escutar as opiniões de como o bebê ganhar peso de mãe, sogra, vizinha ou qualquer pessoa que te deixam confusas. Tire suas dúvidas com quem entende como o pediatra.

Bruno Rodrigues

artigo original guia do bebê

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México, 30 out (EFE)

O parto é um ato violento, mas não tem por que ser doloroso, disse a escritora francesa Muriel Bonnet, opinando que a dor é conseqüência da atual “cultura do medo” imposta pelo homem. “A dor vem do medo”, disse Bonnet em entrevista à Efe

A autora de “O nascimento, uma viagem: o parto através dos povos” explicou que o medo produz adrenalina, deixando as mulheres tensas.
A reação endurece os músculos do útero e gera a dor.
Ela acusou os homens de impor o mundo masculino de força sobre o feminino. A dominação é causada, por sua vez, pelo medo “do poder da deusa da criação”, opinou.
“É uma luta de poder. Os homens tiraram da parteira seu poder natural de ajudar as suas irmãs e filhas a dar à luz. Agora as mulheres têm que lutar para retomar seu direito natural de apoiar as outras mulheres no parto”, sustentou.
Quando o mundo feminino recuperar seu lugar haverá equilíbrio entre homens e mulheres, previu Bonnet. Durante 25 anos ela percorreu o mundo para observar como se dá à luz em diversas culturas.
A francesa esclareceu, no entanto, que não se trata de dominar o homem, que deve ocupar seu papel de companheiro da mulher. Os dois devem exercer a sua liberdade.
Bonnet lembrou seu primeiro parto, quando tinha 23 anos, como algo envolvido por uma nuvem de medo e ignorância. Ela usou anestesia epidural, fórceps e parto comum no hospital, porque não conhecia outras opções. Da segunda vez, quando teve gêmeos, o parto foi “de quatro”, uma experiência mais simples, natural e agradável, garantiu.
“Em outras culturas, o parto não dá tanto trabalho, é algo simples”, observou. Por isso, buscou parteiras baseadas na transmissão ancestral de conhecimentos no México, Amazônia, Canadá, Europa, África e Índia.
“O parto na verdade está ligado ao coração. Dar à luz é algo sagrado, como fazer amor, mas na sociedade atual nos esquecemos disso”, explicou.
“Num mundo onde a mulher é integrada ao seu ambiente natural, o bebê nasce como um orgasmo”, afirmou.
Bonnet é uma firme defensora de partos dentro de casa ou em “casas de parto” administradas por parteiras.
“Devemos tomar consciência primeiro do poder das mulheres, e não deixar que ele fique nas mãos de outras pessoas, como médicos”, recomendou.
A francesa afirmou que a cultura do medo afeta inclusive a família, e é responsável pela luta entre sogra a nora.
“É uma concepção do passado. Nós, mulheres, somos bruxas, e isso é ruim. Mas na realidade ser uma bruxa é ser uma mulher de conhecimento, que não aceita a opressão, e isso é mais comum nas mulheres mais velhas”, sustentou.
As mulheres jovens sentem essa força, que causa “inveja e medo”, e daí nasce a inimizade entre sogras e noras. Mas, para ela, não deveria ser assim, já que “se existem bons homens é porque suas mães fizeram um bom trabalho”.

Matrice na Mix Tv Saúde

clique na imagem para ver a matéria completa

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Qual a maneira que você encontrou para guardar as lembranças da gravidez? O casal norte-americano Cole, 27 anos, cabeleireira, e Ryan Marshall, 34 anos, fotógrafo profissional, queria fazer uma animação da barriga crescendo por nove meses. Para isso, ela precisaria ser fotografada com a mesma roupa todas as semanas. Não deu certo. A procura por um médico que aceitasse fazer o parto de Cole – ela queria ter o bebê em casa dentro de uma banheira – foi tão difícil que eles abandonaram o projeto. Quando resolveram o problema, ela já estava na 17a semana. “Ficamos tão felizes que tirei uma foto dela”, diz Ryan. Ali nasceu outra ideia. Cole usaria looks diferentes todas as semanas da gravidez. Ryan, além dos clicks, passou a compartilhar a excitação de pai de primeira viagem em um blog, o Pacing the Panic Room (Passando pelo Quarto do Pânico). Ali ele contou, emocionado, todas as (bem-vindas!) mudanças que um casal vive. Falou também que a notícia de uma doença grave de LB*, filho do primeiro relacionamento de Cole, foi difícil de lidar. Essas histórias vão estar, em breve, em um livro. Aqui, o depoimento desse pai coruja para o primeiro filho.

23ª semana

“Eu, que nunca pensei em ter um bebê, fico imaginando você andando pela casa. É maravilhoso. Fecho os olhos e ouço você passeando por aqui. Toda vez que falo com você, a barriga da sua mãe mexe muito, muito mesmo. Pode ser minha imaginação, mas sua mãe concorda. Há duas semanas começamos a decorar o seu quarto. Acho que precisa saber: você está matando as costas da sua mãe. Essa semana recebemos os resultados de alguns exames que seu irmão, LB fez. Está sendo difícil aceitar o diagnóstico. Por enquanto, não vamos falar sobre ele. Sua mãe está muito triste. Toda vez que ela chora você começa a mexer na barriga dela, como se soubesse o que está acontecendo.”

*LB: o casal preferiu não divulgar o nome da criança

32ª semana

“Fico imaginando se você vai ser divertida como sua mãe é. Celebramos o Dia das Mães e você foi nadar. Isso dá uma sensação de alívio enorme para ela. Seu quarto está quase pronto. Seu irmão não para de acariciar a barriga da sua mãe e beijá-la. Tivemos aulas de parto aqui em casa. Vou te colocar nos braços de Cole assim que você chegar. Lemos muito para fazer isso, acho que vai ser fácil. Avisamos nossos vizinhos sobre o parto em casa. Não queremos que eles liguem para o 911 (serviço de emergência) para dizer que estão torturando uma grávida quando a hora do parto chegar. Esse é um momento que nem em 1 milhão de anos eu podia imaginar que participaria.”

artigo original e completo na revista CRESCER

conheça o blog  do papai Ryan aqui

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*imagem enviada pela materna nélia de paula

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Estudo mostra que aspiração gástrica e de vias aéreas é rotina em hospitais

RACHEL BOTELHO
DA REPORTAGEM LOCAL

FOLHA DE SÃO PAULO

Recém-nascidos saudáveis são submetidos a aspiração gástrica e de vias aéreas superiores -procedimentos considerados desnecessários e que envolvem riscos quando mal realizados- em hospitais públicos de São Paulo. A conclusão é de um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo feito em três unidades de saúde.

A pesquisa baseou-se em prontuários de 277 recém-nascidos no ano de 2006 de cada uma dessas instituições: um hospital típico do SUS, um hospital que recebeu o prêmio Galba de Araújo por sua proposta de parto humanizado e uma casa de parto. Os nomes das instituições não foram revelados. Os bebês nasceram de gestações de baixo risco e foram considerados vigorosos.

No hospital típico e no premiado, a aspiração gástrica foi feita em 94% e 86% dos bebês, respectivamente, enquanto a aspiração de vias aéreas ocorreu em 96% e 91% dos recém-nascidos. Em contraste, na casa de parto, a taxa de aspiração gástrica foi de apenas 0,73%, e a de vias aéreas, de 8,4%.

De acordo com a pediatra Sandra Regina de Souza, coordenadora da área de Saúde da Criança da Secretaria de Estado da Saúde e uma das autoras do trabalho, as evidências científicas mostram que a recepção de recém-nascidos saudáveis deve se restringir a secar o bebê, observar sua respiração e promover o contato com a mãe.

“Quanto menos colocar a mão no bebê, melhor. As evidências são antigas, mas as pessoas continuam fazendo o desnecessário”, afirma.
Na opinião do pediatra Carlos José Silvestre Rodrigues, que é instrutor de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria, os resultados mostram que essa é uma prática cultural -e que deve ser extinta. “Aspirar os bebês é uma prática que vem de muito tempo. Hoje, depende da rotina do serviço médico”, diz.

Segundo ele, o fato de os nascimentos ocorrerem por via natural nas casas de parto facilita a compressão do tórax do bebê e, consequentemente, a expulsão de líquido -o que pode explicar as baixas taxas de intervenção nessa instituição. “Na cesárea, elimina-se menos líquido, mas também é possível não aspirar esses bebês.”
Sandra classifica como “surpresa árida” a pequena diferença na taxa de procedimentos do hospital premiado e do típico. “Talvez falte investimento para manter as rotinas esperadas de um hospital premiado”, diz.

Para o pediatra Carlos Eduardo Corrêa, consultor internacional em aleitamento, esses procedimentos representam um excesso de intervenção -o que não é necessário nem indicado e pode levar a diminuição de frequência cardíaca, espasmos de laringe, queda da pressão arterial e dificuldade de mamar nos bebês quando são mal realizados.

Frase

“O padrão da reanimação neonatal é fazê-la apenas nos bebês que não estão bem -o que não é o caso desses [avaliados na pesquisa]“
CARLOS EDUARDO CORRÊA – pediatra

Na cama com os pais

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da revista Pais&Filhos de Portugal

Polémica, muito polémica entre pediatras e psicólogos, a partilha do sono (cosleeping, na terminologia anglo-saxã) é uma prática cada vez mais comum nas famílias ocidentais.

Em casa de Natália Fialho vivem quatro pessoas, mas existem apenas duas camas. Uma de solteiro e outra de casal. Ambas estão no mesmo quarto, uma ao lado da outra. Juntas, formam uma só cama tamanho gigante. Há também uma cama de grades num dos quartos da casa, mas ninguém lhe dá muito uso. A família – pai, mãe e dois filhos pequenos – dorme toda junta desde o nascimento do primeiro bebé. Sem culpas e sem medo. Por opção. «Li muito sobre a partilha do sono entre pais e filhos durante a primeira gravidez. Como queria amamentar prolongadamente, e esta é uma das formas de facilitar o aleitamento, percebi que dormirmos todos juntos seria a melhor solução.» Em nome da amamentação, mas também do descanso, afirma Natália. «Os bebés que mamam acordam mais vezes durante a noite. Custa muito sair da cama para dar de mamar. É mais fácil se o bebé estiver junto a nós.»

O filho mais velho, Fernando, de três anos, ainda dormiu umas noites no berço, mas chorava de cada vez que se via sozinho sem o calor da mãe, por isso Natália e o marido decidiram pô-lo a dormir perto deles, na mesma cama. Quando a segunda filha nasceu, o seu destino nocturno foi o mesmo, a cama dos pais. Agora eram quatro. O espaço encolheu. Natália e o marido decidiram, por isso, colocar uma cama de solteiro junto à cama de casal e formar um leito king size para toda a família. E assim dormem todas as noites. Catarina tem 10 meses e mama sempre que lhe apetece, Fernando também. Natália não dá conta de quantas vezes dá de mamar aos filhos durante a noite. Está sempre meia a dormir. Os miúdos mamam e voltam a adormecer rapidamente. As noites, diz, passam-se tranquilamente. Quanto à relação entre marido e mulher, nunca saiu afectada pelo sono em família. Natália resume: «Há outras divisões na casa!»

O aumento crescente do número de adeptos do cosleeping levou já a que especialistas cujo nome é sinónimo de credibilidade, como o médico Richard Ferber, guru norte-americano do sono pediátrico e outrora crítico frontal da partilha da cama entre pais e filhos, revissem as suas teorias. Em meados dos anos 80, Ferber publicou um livro – «How to solve your child’s sleep problems» (Como resolver os problemas de sono do seu filho) – por muitos considerado uma bíblia, onde espelhou o pensamento dominante sobre o sono dos bebés: para que consigam ver-se como seres independentes, as crianças precisam de aprender a dormir sozinhas.

Numa entrevista recente à Newsweek, por altura da reedição do livro, o médico, actual director do Centro das Perturbações Pediátricas do Sono do hospital pediátrico de Boston, afirmou que aquela é uma frase que gostaria de nunca ter escrito: «Era a ideia que dominava na altura, não era sequer a minha experiência nem a minha filosofia.» As coisas mudam e Ferber defende agora que, «desde que resulte», cada família sabe o que é melhor para si em termos de rotinas de sono. Se a escolha recair sobre o cosleeping, muito bem, senão, muito bem na mesma.

«AS REGRAS NÃO SERVEM PARA TODOS»

Mas o estigma contra a partilha da cama é forte. Natália não se alonga demasiado sobre o assunto com o pediatra que acompanha os filhos, mas sabe que ele não gosta muito da ideia. Nada que a faça duvidar do seu instinto: «Ninguém gosta de dormir sozinho, não está na nossa natureza.» Muito menos as crianças, defende. «Dormir com os pais dá às crianças uma sensação de segurança que acho que é fundamental elas terem.» De resto, tudo se resume a uma escolha pessoal: «Quero estar disponível para os meus filhos, sempre.» Noites incluídas. Natália não acredita que o cosleeping possa ter consequências negativas: «Eles não vão querer dormir a vida toda connosco… Um dia vão tornar-se totalmente independentes. É o correr normal das coisas.»

Pôr um bebé a dormir com os pais é ou não um erro do ponto de vista educacional? De todo, diz Pedro Caldeira da Silva, pedopsiquiatra do Hospital Dona Estefânia. Pode até ser a solução para alguns problemas. O médico dá o exemplo dos bebés irritáveis ou difíceis de acalmar. Dormir com os pais é, por vezes, o caminho para a tranquilidade. Esse é, aliás, um dos conselhos terapêuticos que frequentemente dá quando lhe surgem casos desses.

O medo de que os bebés se tornem «mimados» ou cheios de vícios por dormirem com os pais é infundado, esclarece Pedro Caldeira da Silva. «Dormir em família pode ajudar a regular o sono. Os bebés tornam-se mais calmos e os pais mais tranquilos.» Cada bebé é um bebé, diz o médico, e há bebés que «para se sentirem bem, precisam de dormir com os pais.» Outros não. É por isso que Pedro Caldeira da Silva raramente dá conselhos sobre o sono das crianças. «O que eu digo aos pais é: conheça o seu bebé.» Tal como os adultos, «as crianças têm necessidades individuais e características diferentes. Nenhuma regra serve para todas.»

Desaconselhar (ou aconselhar!), genericamente, o cosleeping é, por isso, simplista. «Os especialistas metem-se muito onde não são chamados, inclusive na cama dos pais. Há muitas maneiras de adormecer um bebé.»

EM NOME DE UMA AMAMENTAÇÃO DE SUCESSO

A médica de família Celina Pires, impulsionadora de um programa para a promoção do aleitamento materno no Centro de Saúde de Belmonte, onde trabalha, partilha da mesma ideologia: «Não dou receitas, cabe a cada família decidir como quer dormir.» Celina Pires conhece bem o fenómeno do cosleeping. A taxa de amamentação das utentes do CS Belmonte é elevada. Para facilitar o processo, muitas mulheres decidem dormir junto dos seus bebés. «É mais fácil conciliarem os despertares nocturnos», explica a médica, autora também do primeiro site português sobre amamentação (www.leitematerno.org). Com os sonhos em sintonia, mãe e bebé entendem-se quase sem dar por isso e a amamentação decorre sem que ambos estejam completamente despertos. «As mães que partilham a cama com os seus bebés têm tendência para dar de mamar durante mais tempo: as crianças mamam mais frequentemente e, assim, estimulam a produção de leite das mães», explica Celina Pires.

Dormir em família em nome da amamentação e do repouso, portanto. «Estudos sobre o sono demonstram que as mães que partilham a cama com os seus bebés têm um sono mais longo e mais reparador», esclarece a médica. Por seu lado, «os bebés que dormem com as mães têm menos episódios de apneia: devido à proximidade, é mais fácil detectar quando alguma coisa não está bem.»

A atitude negativa da sociedade em geral e dos profissionais em particular sobre o cosleeping não tem fundamento científico, explica Celina Pires, acrescentando: «É um desejo legítimo querer dormir com os filhos e, excluindo situações de potencial risco para a morte súbita, não há razão nenhuma para que não se possa fazê-lo.

O RECEIO DA MORTE SÚBITA

Ainda assim, autoridades científicas como a Academia Americana de Pediatria (AAP) desaconselham a partilha da cama entre pais e filhos. A posição tem mesmo endurecido ao longo dos últimos anos, sobretudo desde que, em 1999 a Comissão de Protecção dos Consumidores nos EUA emitiu um comunicado a alertar para o risco de sufocação dos bebés quando estes dormem com os pais. A Comissão justificava a medida com os resultados de estudos que haviam estabelecido um risco maior de morte súbita quando os bebés dormem com os pais na mesma cama. Celina Pires questiona esta relação: «Esse risco é importante quando algum dos adultos que dorme com o bebé é fumador. No entanto, quando nenhum dos pais fuma e o bebé tem mais de oito semanas, o risco é insignificante.

Que dizer, então, dos estudos nos quais a AAP se baseia para desaconselhar o cosleeping? «Nem todos os estudos avaliaram o consumo de álcool ou drogas por parte dos adultos, assim como não fizeram a distinção entre dormir em ambientes seguros ou inseguros, como os sofás, que já está demonstrado serem um factor de risco para a morte súbita», explica Celina Pires. Além disso, as investigações que existem «demonstram a associação entre duas variáveis [dormir com os pais e morte súbita do bebé], mas não podem definir um nexo de causalidade.

Isto mesmo defende um dos investigadores norte-americanos com mais créditos na área do cosleeping, James McKenna, professor na Universidade de Notre Dame e director do Laboratório Comportamental do Sono Mãe-Bebé da mesma instituição. Dormir na cama dos pais não pode ser considerado, por si só, um risco, diz McKenna. É preciso ter em conta os contextos individuais. O investigador critica o discurso negativo instituído sobre o cosleeping: «Dormir em família pode ser uma decisão responsável, reflexo da forma como os pais querem alimentar os seus bebés e maximizar o seu bem-estar», escreveu numa revisão científica recente sobre o assunto

«NÃO QUERO SALTAR ETAPAS

Margarida Marques também dorme perto da filha desde o primeiro dia. Ainda a colocou no berço quando chegou da maternidade, mas, por alguma razão que não sabe explicar muito bem, intuição talvez, aquela imagem não lhe pareceu correcta. Levou-a, então, para a cama grande e aninhou-a junto de si e do marido. Dormiram assim durante os primeiros seis meses de vida da Inês. Depois decidiram pô-la numa cama de grades encostada à cama de casal. Puxaram um dos lados para baixo e engendraram uma cama grande, com espaço para todos dormirem à vontade

Nunca consideraram que esta opção prejudicasse a relação entre ambos. É um facto que, em termos práticos, obriga a um esforço de imaginação, reconhece Margarida. Mas, «em termos afectivos, nunca nos sentimos separados pela nossa filha, antes pelo contrário»

Inês está prestes a fazer três anos e ainda dorme ao lado dos pais, mamando quando lhe apetece. «Faz sentido para nós e para ela», resume Margarida. Até quando vão dormir em família não sabe – Margarida suspeita que a transição esteja para breve: Inês já declarou que «qualquer dia» se muda, definitivamente, para o seu quarto, onde já dorme as sestas -, sabe apenas que não quer saltar etapas. «Sinto que, desta forma, estou a respeitar o ritmo e o crescimento dela.

Estar próxima, pele com pele, dar mama, calor, colo e afecto, de dia e de noite, é o que Margarida quer para a sua relação com a filha. Receio de atrasar a independência? «Para mim, é exactamente ao contrário: as crianças tornam-se autónomas tendo uma base de confiança, que se constrói respondendo às necessidades delas.» Inês não tem dificuldades ao nível da autonomia. Prova disso é a forma como decorreu a primeira sesta na escola. Inês, simplesmente, deitou-se na cama e dormiu. Sem mama, sem mãe, sem drama. «Para ela, a hora de ir dormir é um prazer.

Educar uma criança para a independência é dar-lhe tempo para crescer, defende Margarida. Respeitá-la, dar-lhe segurança. Porque a autonomia não precisa de ser uma vitória das forças externas à criança. Também pode vir de dentro. A seu tempo.

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