| por MARJORIE RODRIGUES, FILHA DE LÉIA E JOAQUIM, E PAULA MONTEFUSCO, FILHA DE REGINA E ANTONIO | 28 de março, 2008 |
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Se você é titular de um plano de saúde com cobertura obstétrica (traduzindo, que cobre parto), não estranhe se receber uma cartinha do seu convênio falando das vantagens do parto normal e dos riscos de uma cesárea desnecessária. A medida faz parte da campanha “parto normal está no meu plano” da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que regulamenta as empresas de saúde. A meta do governo é reduzir de 80% para 60%, até 2011, o percentual de cesarianas em partos cobertos por planos e seguros de saúde. Na rede pública, em que o percentual já é menor, a meta é reduzir de 30% para 25%. O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde não passa dos 15%. Ou seja, a conta está beeeem longe da nossa média.
Para ajudar a equilibrar um pouco essa equação, a ANS aumentou a cobertura dos planos de saúde contratados a partir de 1999 (70,1% dos planos). A previsão é que as medidas entrem em vigor já neste mês. As beneficiárias dos planos de saúde hospitalares com obstetrícia agora têm direito a uma enfermeira obstetra, profissional que pode realizar o parto no caso em que não haja riscos para mãe e bebê, além de um acompanhante durante toda a estada no hospital, desde o parto até a alta. A idéia é, também, ajudar essas mães nos primeiros cuidados com o bebê e a iniciar a amamentação. A mudança foi feita porque a literatura médica associa a participação da enfermeira obstetra e do acompanhante à redução do número de cesarianas. Os defensores do parto natural aprovaram as medidas.
“Aliada ao processo de conscientização, a medida pode fazer com que mais mulheres recorram às doulas como acompanhantes”, diz Ana Cris Duarte, doula (profissional que acompanha a gravidez, o parto e dá assistência na amamentação), educadora perinatal e co-autora do livro Parto Normal ou Cesárea – O que Toda Mulher deve Saber (e Todo Homem Também) (Ed. Pluricom), que afirma que o acesso dessas profissionais é mais complicado no sistema público.
Direito garantido
Karla Santa Cruz Coelho, gerente técnicoassistencial de Produtos da ANS, reconhece: “Algumas maternidades, principalmente no sistema público, têm salas coletivas de préparto; por isso, restringem o acesso a acompanhantes do sexo feminino, para evitar constrangimentos às demais parturientes. No entanto, não há nenhuma lei que defina essa restrição – isso não está nem na lei do acompanhante, do SUS, nem nos planos de saúde”, diz ela. Mesmo nas maternidades particulares, se houver salas coletivas, elas também têm restrições. Mas ter um acompanhante no parto e pós-parto é direito seu. “A cobertura do acompanhante é obrigatória até 24 horas depois do parto e inclui a roupa do centro cirúrgico”, diz Karla.
Já Ruth Hitomi Osava, professora doutora da disciplina Estágio Supervisionado, do Curso de Obstetrícia da Universidade de São Paulo – Leste, teme que haja enfrentamento entre parteiras e médicos. “Acho muito interessante que a enfermeira obstetra tenha seu trabalho reconhecido e remunerado pelos convênios, mas considero que a medida, desvinculada de uma mudança na cultura de parto de nascimento, uma cultura em que o parto é percebido como evento médico, que depende de uma assistência hospitalar, provocará poucas mudanças nas taxas de cesarianas nos convênios”, afirma.
Na opinião de Joyce da Costa Silveira, especialista de laboratório do curso de Obstetrícia da USP Leste, as novas regras da ANS serão importantes para estimular a difusão do parto normal, mas não serão suficientes para mudar radicalmente a situação nas maternidades privadas. Ela deixa claro que, com a chegada obrigatória da enfermeira, o médico continua na sala da parto, com a mesma importância. “O médico continua atuando em parto normal e cesárea, que deve ser feita caso haja necessidade”, ressalta Joyce. A idéia é somar, não substituir.
“Se a paciente estiver em trabalho de parto e com dilatação muito grande, a enfermeira pode fazer o parto caso o médico não chegue a tempo. Mas a enfermeira não pode assumir uma responsabilidade que não é dela”, diz Soubhi Kahhale, médico obstetra da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
De quem é a culpa?
Segundo o obstetra, na rede privada a grávida pode escolher o tipo de parto. Na rede pública isso não é possível, porque a cesárea só é feita se a gestante entregar uma carta de recomendação médica. A questão de quem é a responsabilidade pelo fato de o Brasil ser o recordista mundial em cesáreas é polêmica. Recentemente, uma pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública, que entrevistou 437 mulheres, revelou que 34% preferiam cesarianas, mas 90% acabaram passando pelo procedimento.
Ok, não tem nada demais fazer cesárea quando a mulher decidiu que se sente mais segura assim ou quando ela ou o bebê podem correr algum risco num parto normal. Ninguém aqui quer entrar pra nenhuma patrulha do parto, mas temos de reconhecer que a balança está beeem desequilibrada e as medidas são bem-vindas, sim.
“A ANS diz que é possível fazer parto normal depois de uma cesárea, em caso de gêmeos ou de bebê sentado, mas não podemos pensar em diminuir as cesáreas a custa dessas situações de risco”, diz o dr. Kahhale. Ele conta que, no Hospital São Luiz, conseguiu- se aumentar em 20% a incidência de parto normal. “Mas claro que, na rede privada, nunca iremos conseguir chegar perto dos números da rede pública”, considera.
Depende do plano
A escolha da enfermeira obstetra vai depender da sua operadora. “As operadoras só são obrigadas a pagar pela enfermeira obstetra se for um plano de livre escolha. Caso contrário, ela não é obrigada”, diz Karla, da ANS. Nos planos de livre escolha, a beneficiária escolhe a enfermeira obstetra de sua preferência e, depois, é reembolsada pela operadora. Uma outra opção é a operadora credenciar enfermeiras obstetras e oferecê-las aos beneficiados. Os nomes delas constarão no caderninho do plano de saúde. A terceira e última opção é escolher, na hora, quem você quer. A enfermeira obstetra é contratada do hospital e a mãe decide se quer fazer o parto com o médico ou com ela. Ana Cristina faz uma sugestão: “Os planos não reembolsam o parto em casa. Seria bom que reembolsassem. Sairia até mais barato para eles”. Por enquanto, a gente apóia a iniciativa e torce para que dê os resultados esperados.
CONSULTORIA:
* ANA CRISTINA DUARTE, MÃE DE JULIA E HENRIQUE, É DOULA E EDUCADORA PERINATAL. TEL.: (11)3727-1735 * KARLA SANTA CRUZ COELHO, GERENTE TÉCNICO-ASSISTENCIAL DE PRODUTOS DA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR, MÃE DE JULIA E PEDRO. DISQUE ANS: 0800-7019656 OU GGTAP.DIPRO@ANS.GOV.BR
* JOYCE DA COSTA SILVEIRA, ESPECIALISTA DE LABORATÓRIO DA USP LESTE, MESTRE EM PREVENÇÃO DO TRAUMA PROVOCADA PELA EPISIOTOMIA NÁDIA ZANON NARCHI, MÃE DE EDUARDO, ENFERMEIRA OBSTETRA, VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OBSTETRIZES E ENFERMEIROS OBSTETRAS, SEÇÃO SÃO PAULO (ABENFO-SP), E DOCENTE DO CURSO DE OBSTETRÍCIA DA USP LESTE. TEL.: (11) 3091-8117
* RUTH HITOMI OSAVA, PROFESSORA DOUTORA DA DISCIPLINA ESTÁGIO SUPERVISIONADO, DO CURSO DE OBSTETRÍCIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, E MÃE DE PEDRO SOUBHI KAHHALE, MÉDICO OBSTETRA DA FEBRASGO (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA), PAI DE PEDRO, PAULO E RAFAEL. TEL.: (11) 5573-4919


Eu gostaria muito que alguem me falasse sobre o parto feito em casa.
Silvia,
Visite o site do GAMA (grupo de apoio à maternidade ativa). Lá você terá todas as informações:
http://www.maternidadeativa.com.br/
bjz
Silvia,
visite
http://www.maternidadeativa.com.br/
e tenha boas informações sobre o assunto
Bom eu acabei de saber hoje q estou gravida e de gemios fiz uma trasvaginal q no qual acusou esta gestação dupla mas ocorreu algo estranho um dos bebes germinaram semanas depois do outro tudo indica q tive duplaovulação ñ sei porq estão separadinhos so q o menor ñ teve batimentos cadiovasculares fiquei preocupada a médica pediu calma e me solicitou q voltasse daki a 15 dia para uma nova ultra pra ter certeza ,to muito preocupada ,por favor me responda o mais rapido q puder se isso é frequente e se é normal acontecer,pois ja sou mãe de uma menina de 13 anos mas essa experiencia de gemeos e unico ,muito grata …
Alessandra S Rodrigues
Olá Alessandra!
Parabéns por sua gravidez!
É relativamente comum, nas gravidezes de gêmeos, um deles não se desenvolver ou não ter sequer embrião dentro do saco gestacional. Como hoje em dia há um certo abuso no número e na precocidade dos ultrasons, as mulheres ficam sabendo dos gêmeos cedo demais. Antigamente elas nem saberiam que um dia estiveram grávidas de gêmeos. Espero que o exame esteja errado, mas é bom você saber que a gravidez de gêmeos é de alto risco, e existe uma série de complicações possíveis.
Um abraço,
Ana Cristina Duarte
Obstetriz
http://www.maternidadeativa.com.br
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Quero agradecer! Pois a Materna Sp colaborou, e muito para a realização de um trabalho na faculdade .
Infelizmente,a falta de informação leva a ignorancia. A enfermeria Obstetra tem total capacidade e formação garantida por lei de realizar parto normal sem distocia,independente de seu grau de dilatação. Inclusive o parto normal traz muito menos risco e tem muito mais vantagens para a gestante. infelizmente a profissão da enfermagem é muito desvalorizada,o que sinceramente não entendo afinal para ser uma enfermeira(o) é necessario 5 anos de faculdade e se for para ser especialista mais alguns anos. Se a equipe de saude,inclua ela medico,enfermeiros e equipe de enfermagem(tecnicos e auxiliares),fisioterapeutas e muitos outros profissionais se unissem ao inves de lutarem por poder a saude publica Brasileira teria um crescimento gigantesco e cada ser humano teria um tratamento digno.