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vídeo Cá Entre Nós – Chica San Martim

Bia Fioretti/ maesdapatria.wordpress.com

Manifestação contra o fim do curso de Obstetrícia

Hora
sábado, 26 de março · 10:00 – 13:00

Localização
VÃO LIVRE DO MASP, Av Paulista, Sao Paulo

Mais informações
Manifestação de profissionais e mulheres contra o fim do curso de Obstetrícia

UPDATE: Confiram imagens da manifestação aqui

>>>ABAIXO ASSINADO<<<

Ato contra a extinção do curso de Obstetrícia

 

Hora
terça, 22 de março · 09:00 – 11:00

Localização
Em frente a Reitoria da Universidade de São Paulo

 

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“A saúde da mulher encontra no Brasil números alarmantes. A OMS recomenda que o número de cirurgias cesáreas não ultrapasse 15%, porém, na rede pública brasileira este número alcança a marca de 48% e na rede particular de 70% a 90%.(…)
Apesar de se propor a colaborar com a melhora da atenção a saúde da mulher, desde a sua reabertura, o curso de Obstetrícia enfrenta muitas dificuldades, dentre elas o impasse em relação a regularização da profissão de obstetriz. No diálogo com as instituições que poderiam regulamentar os profissionais formados nesse curso, viu-se a necessidade de ampliar a formação dos mesmos, o que gerou uma reformulação em sua grade curricular, que a partir de 2011 passa a ser realizado em 4 anos e meio em período integral. Assim, o curso foi tratando de dar respostas, aprender e recordar sempre qual a sua função e a importância que representa na possibilidade de contribuir na melhoria da atenção a saúde no Brasil.
A esses impasses soma-se o fato do curso de Obstetrícia estar situado em um campus recente da USP. Sendo um campus novo, os cursos situados nele têm pouca divulgação e consequentemente menor procura do que cursos tradicionais. Devido a isso, hoje a Obstetrícia enfrenta um problema ainda mais grave do que a regularização de seus profissionais: corre o risco de ter seu vestibular suspenso, o que abre a possibilidade do fechamento do mesmo. Além disso, há também a possibilidade de redução das vagas para acesso ao curso (hoje 60 vagas são disponibilizadas por ano). Entendemos, no entanto, que a realidade da assistência obstétrica no Brasil justifica a manutenção das 60 vagas atuais, permitindo a formação de um maior número de profissionais capacitados na assistência humanizada à saúde da mulher. Como consequência indireta e não menos importante, a suspensão do vestibular e possível fechamento do curso diminui as chances das pessoas que vivem na Zona Leste de São Paulo, região caracterizada por população de menor poder aquisitivo e, dado o quadro das universidades do Brasil, com menor chances de cursar uma faculdade pública, em geral com maior prestígio no país. Enfim, estamos falando da possível extinção da profissão Obstetriz e de sua capacidade de mudar a realidade obstétrica brasileira. Hoje os alunos formados podem trabalhar mediante uma ação judicial, porém enfrentam uma oposição das instiuições reguladoras que dificulta o ingresso destes profissionais no mercado de trabalho. Pedimos, então, o seu apoio para evitar que a Obstetrícia tenha seu vestibular suspenso e sua formação ameaçada.”

Texto retirado do “Pedido de apoio para a continuidade da Graduação em Obstetrícia na Universidade de São Paulo”


Traduzido de um artigo de Hilary Dervin Flower, MA – Midwifery Today – Winter 2003

 

É um assunto pouco discutido, mas uma preocupação bastante comum.
A mãe tem toda razão de evitar desmamar um filho mais velho durante a gravidez. O filho que está sendo amamentado ganha com o leite materno, o qual dá reforços à nutrição e ao sistema imunológico da criança. Desmamar antes dos dois anos de idade pose aumentar o risco daquela criança adoecer.

Preocupações:
*Medo de entrar em trabalho de parto precocemente ou de ter um aborto espontâneo.
*A amamentação vai roubar os nutrientes do feto.
*É demais para o corpo da mãe, ela ficaria cansada.

Amamentação e contrações:

A estimulação do mamilo estimula a liberação de ocitocina (hormônio). A ocitocina é importante na amamentação porque controla a ejeção do leite. A ocitocina também estimula o útero a contrair. A estimulação do mamilo pode intensificar o trabalho de parto se o mesmo já estiver acontecendo. A amamentação depois do parto ajuda o útero (com contrações) a voltar ao tamanho que tinha antes da gravidez.

A amamentação NÃO inicia o trabalho de parto antes da hora certa!

O útero tem receptores sensíveis à ocitocina (células que detectam a presença da ocitocina e causam uma contração). Normalmente, durante as primeiras 38 semanas da gravidez o útero tem poucos destes receptores, os quais aumentam em número aos poucos depois disto até chegarem a 300 vezes mais quando o trabalho de parto já houver iniciado. Isto protege a gravidez.

Também há outros fatores que protegem a gravidez. Para que os receptores possam responder à ocitocina, eles precisam de um tipo de proteína especifica. A progesterona (outro hormônio) bloqueia a conexão entre a ocitocina e os receptores.

A ocitocina sozinha não é capaz de iniciar o trabalho de parto. O útero está na fase de carregar o bebê, bem protegido contra um trabalho de parto precoce.

Várias mulheres entrevistadas e que fizeram parte de pesquisas notaram que sentiam contrações quando o filho estava mamando, mas que as contrações paravam logo depois (dentro de 10 – 15 minutos) da sessão.

É sempre uma decisão da mulher. Numa gravidez saudável não é arriscado amamentar. Numa gravidez de risco a decisão pode ser mais complicada, mas ainda é possível. Existem mulheres que amamentaram durante uma gravidez de alto risco, até mesmo durante uma ameaça de trabalho de parto prematuro, e deram à luz filhos sadios à termo (entre 38 a 42 semanas). Outras acharam melhor desmamar por causa da sua situação. Todas as mulheres devem conhecer os sinais de trabalho de parto precoce. Se perceberem contrações preocupantes devem parar a sessão de amamentação e ver se as contrações cessam. (Seu médico ou parteira também pode querer avaliar o efeito da amamentação sobre o útero – contrações, batimentos cardíacos do bebê, ou colo uterino).

Comendo por três

Uma mulher é capaz de comer o suficiente para o seu feto, sua produção de leite e ela mesma?

Uma dieta básica com alimentos variados e calorias suficientes vai cobrir a maioria das necessidades de mulheres que estão amamentando ou grávidas.

Mulheres já com algum nível de desnutrição podem ter dificuldades, mas uma mulher bem nutrida tem pouca razão para se preocupar.

Reservas de gordura são esvaziadas durante a amamentação exclusiva. Quando o bebê começa a comer outras coisas e continua mamando, as reservas de gordura da mãe voltam aos poucos. Quanto mais tempo ela amamenta, maior quantidade de gordura ela recupera (**nota – é saudável e natural para a mulher ter estas reservas – para manter a gravidez e a amamentação**). Mas se ela engravidar logo depois, ela não vai recuperar estas reservas, e se ela estiver desnutrida e resolver amamentar durante a gravidez, as reservas vão diminuir mais ainda.

Outra preocupação relacionada à amamentação durante a gravidez é com a saúde dos ossos da mulher. Pesquisas mais recentes mostram que a mulher recupera a densidade mineral dos ossos quando o bebê começa a comer outras coisas, e aos 12 meses de idade da criança a densidade mineral dos ossos da mãe deve ter voltado ao normal.

E as necessidades do feto? Pesquisas mostram que as mães que ganharam peso suficiente durante a gravidez tiveram bebês de peso normal (2,52 a 4,93kg). Se a mulher estiver desnutrida (ou sem condições de aumentar sua ingestão alimentar) ela pode ter dificuldades de ganhar peso suficiente na gravidez ou seu bebê pode nascer com peso abaixo do normal. A recomendação de saúde pública, considerando que o desmame precoce pode prejudicar a saúde do bebê, é de dar um maior intervalo entre os filhos.

A produção de leite normalmente diminui no meio da gravidez. As duas perguntas mais importantes são: “Ela está mantendo seu apetite?” e “Ela está ganhando peso dentro do padrão esperado?” Ela precisa ganhar o mesmo peso que ganharia se não estivesse amamentando (meio quilo por semana depois de 20 semanas de gravidez). É preciso avaliar como aumentar o consumo da mãe – se ela estiver com dificuldades. Também é necessário avaliar a hidratação materna. A cor da urina indica: amarela clara – bem hidratada; amarela escura – desidratação.

A sensação de bem-estar da mãe diz tudo. O que o corpo da mãe está dizendo a ela?

A mulher deve estar empoderada e escutar a sabedoria do seu corpo enquanto ela cuida do seu filho e da sua gravidez.
Os hormônios da gravidez podem causar desconforto para a mãe durante a amamentação. Dói! Não sempre, mas para a maioria das mulheres a amamentação provoca alguma dor, a qual poderá ser mais forte numa fase da gravidez do que em outra. Ela também pode se sentir agitada, querendo tirar a criança do peito. A mãe que sente-se comprometida com a continuidade da amamentação pode precisar de apoio durante sua adaptação a estes desconfortos.

É fundamental ajudar cada mulher a processar suas necessidades e escolhas, e apoiá-la em sua decisão de desmamar ou de diminuir o número de mamadas do mais velho.

Hilary Flower – autora do livro Aventuras na Amamentação Tandem: Amamentação durante a gravidez e depois (Adventures in Tandem Nursing: Breastfeeding During Pregnancy and Beyond – 2003).

trecho do livro Un Regalo Para Toda La Vida do pediatra Carlos González

A amamentação nos primatas superiores não é puramente instintiva. É preciso uma aprendizagem por observação, aprendizagem que na natureza se dá de forma espontânea. Mas muitas mães dão à luz sem nunca haver visto outra mulher dar de mamar. Algumas nem sequer tiveram outro bebê nos braços. Muitas adolescentes não passaram pela experiência de ver uma mãe cuidando do seu filho apesar de terem feito um bico de babysitter, cuidando o bebê (e dando mamadeira) quando a mãe está ausente.

Por outro lado, é relativamente fácil ver bebês tomando mamadeira. Nos parques, nos filmes, nas fotos de revista. Isso contribue para que, em muitos países europeus, as imigrantes dêem menos peito que as autóctonas. As turcas que moram na Suécia, por exemplo, não só dão menos peito que as que ficaram na Turquia, também dão menos peito que as suecas. A Suécia é um dos países da Europa onde mais se dá o peito, mas as imigrantes não ficaram sabendo. Não entendem os livros, não têm amigas com quem falar, só podem ver as fotos das revistas e chegam à conclusão de que “a mamadeira deve ser melhor, porque aqui é o que tomam todos os bebês”.

Como dar mamadeira sim, já viram muitas vezes, em fotos ou ao natural, muitas mães tentam dar o peito segurando o bebê como se fossem dar uma mamadeira, com a cabeça no cotovelo e olhando pra cima. Dessa maneira, o bebê tem que virar e dobrar o pescoço e quase não chega ao peito.

Também a arte pode oferecer modelos inadequados. Em muitos quadros o menino Jesus mama sentado e com o pescoço torcido. Mas, preste atenção ao menino, costuma ter vários meses e ás vezes um ou dois anos. Os recém nascidos, verdade seja dita, não são muito fotogênicos; o quadro fica melhor com um bebê maiorzinho. E em alguns quadros o menino nem sequer está mamando, está olhando o pintor (tão interessante, claro) enquanto dá uma bela puxada no peito da mãe.

No início, a perturbação do padrão de sono normal dos pais pela chegada do bebê pode ser a parte mais difícil de ser um novo pai e mãe. Isso é ainda mais verdadeiro se você também tiver outro filho de 1 ano e meio-3 anos que ainda acorda à noite, ou se levanta muito cedo pela manhã. Contudo, com o tempo você acaba se acostumando a acordar à noite e meios efetivos de se maximizar o sono podem ser encontrados. “Como os bebês devem dormir” é atualmente um tema controverso na nossa sociedade e você provavelmente vai encontrar conselhos contraditórios de especialistas, o que pode ser bastante confuso para você e o seu bebê. Dormir é como nós descansamos. Não precisa se tornar uma “batalha do sono” com o seu bebê, na qual os padrões de sono instintivos dele se conflitam com as suas expectativas ou os conselhos dos especialistas. Os padrões de sono dos bebês mudam à medida  que eles se desenvolvem. Embora o sono infantil siga um padrão geral, há variações nesse padrão, que dependem do temperamento e fisiologia de cada bebê. Alguns bebês são naturalmente mais “acordadores” que outros, desde o início. Muitos bebês com padrões de acordadas noturnas normais, mas frequentes, acabam rotulados como tendo um problema de sono ou sendo “difíceis à noite” Alguns pais têm expectativas não realistas sobre seu bebê e podem lutar por meses, tentando fazer com que seu filho tenha um padrão de sono que não se adequa à sua fisiologia. É importante não vincular rótulos de “bom” ou “mau” para os padrões naturais de sono do seu bebê e tentar achar uma forma de parentagem que leve esses padrões em consideração e também funcione para você. Há várias opções que você pode levar em conta para alcançar uma harmonia noturna. Ambos pais devem se sentir bem com a forma de dormir e abertos a fazerem modificações, se o plano inicial não funcionar. Passem mais tempo ouvindo um ao outro e dividindo seus sentimentos, dúvidas e pontos de vista no assunto. Se vocês têm idéias diferentes, tentem alcançar um acordo sobre a abordagem que os deixa mais confortáveis, e estejam prontos a continuar conversando e revendo sua decisão juntos, à medida que os padrões e ritmos individuais do bebê emergem e se alteram.No que se refere ao sono do bebê, há duas abordagens principais. Por um lado, a  abordagem do  “attachment parenting” se propõe a trabalhar em harmonia com os padrões biológicos do bebê, com suas necessidades de desenvolvimento e emocionais, à noite, assim como de dia. Isso envolve ficar perto do bebê à noite e é chamado cama compartilhada(“co-sleeping”). É baseado em precedentes históricos e evolucionais, em que bebês do mundo todo têm dormido junto com suas mães, dividido seu ambiente físico e calor humano, amamentando espontaneamente durante a noite. Quando isso funciona bem, miraculosamente o ritmo de sono da mãe se ajusta ao do bebê, tornando as mamadas noturnas muito menos cansativas. As tendências  atuais  de parentagem são mais centradas no adulto, criadas para treinar bebês a acomodarem seus padrões de sono para se adequarem às demandas da vida adulta. Nos dias atuais, muitas pessoas têm um estilo de vida pressionado pelo tempo, de movimento rápido e orientado pela carreira, que requer sono ininterrupto à noite. Essas pessoas podem, portanto, ser atraídas por um método de “treinamento de sono” que prometa que seu filho pode ser ensinado a dormir sozinho desde cedo. Pode ser dito que nossa sociedade é obcecada com fazer os bebês “dormirem a noite toda” o mais cedo possível. Geralmente isso vai contra a fisiologia do bebê. O treinamento de sono pode ser conveniente para os adultos envolvidos, mas há algumas objeções fortes que você pode querer considerar antes de ir por esse caminho. Há também em uso soluções de “attachment parenting” para pais ocupados, que podem minimizar o impacto da separação temporária de seu filho. Uma razão importante porque bebês acordam é para serem alimentados. Bebês são acostumados a se alimentar continuamente o dia todo no útero. Aprendera comer apenas durante o dia é um processo lento que ocorre quando o bebê está fisiologicamente pronto, assim como aprender a sentar e engatinhar. O leite materno é digerido rapidamente e os bebês tendem a se alimentar periodicamete durante a noite, assim como durante o dia, por pelo menos alguns meses. O estômago deles é muito pequeno para segurar um suprimento que dure a noite toda. Para alguns bebês isso pode continuar por um ano ou mais. A prolactina, o hormônio que produz leite, é produzido em maior quantidade durante a noite, quando a mãe está descansando. A mamada noturna estimula a secreção da prolactina. Há um risco para o suprimento de leite da mãe, se a amamentação noturna é eliminada e o nível de prolactina cair. Bebês alimentados com mamadeira podem aguentar até 4 horas entre mamadas, porque o a fórmula de leite de vaca demora mais para ser digerida que o leite materno, mas ainda assim esses bebês precisam ser alimentados durante a noite quando acordam. Um bebê alimentado menos do que deveria pode aparentar estar bem, mas seu desenvolvimento não vai ser ótimo. Há também uma pequena percentagem de bebês pequenos que, quando negados a mamada noturna, podem sofrer desidratação e precisar de cuidados especiais em hospital. Eu recomendo fortemente a cama compartilhada no inicio (“co-sleeping”). Isso quer dizer, em suma, dormir no mesmo quarto que o seu bebê, por um mínimo de seis meses e possivelmente por um ano ou mais. Isso pode ser feito se dividindo a cama com o bebê, dormindo com ele numa distância em que possa ser tocado, ou colocando-o num berço ou bassinete no seu quarto, ou uma combinação flexível dessas opções. Quando seu bebê tiver seis meses é uma boa época para rever seu arranjo de sono e ver se você quer introduzir alguma mudança. O cerne da abordagem da cama compartilhada, essencialmente, não é sobre onde o seu bebê dorme, mas sim aceitar e respeitar o fato de que seu bebê tem necessidades à noite, assim como ele tem durante o dia. Essa abordagem envolve a disposição e comprometimentopara responder ao seu bebê à noite, assim como você faz em qualquer outra hora. Minha confiança nessa abordagem vem das minhas próprias experiências bem sucedidas de cama compartilhada com meus quatro filhos e as observações que eu tenho feito ao longo dos anos, de como a CC funciona bem em várias outras famílias. Qualquer que seja o estilo de dormir que você escolha, nenhuma abordagem é infalível e nada funciona para todo mundo. É essencial escolher o que funciona melhor para a sua família, para o seu bebê, não importando  que outras pessoas façam ou recomendem. Seu tempo de sono é intimo, privado e pessoal e realmente não diz repeito a ninguém mais além de você. Quando decidir sobre seu arranjo de sono, você precisa ser consistente, mas não impor regras tão rígidas que não possam ser flexibilizadas ou revistas se não estiverem funcionando. Você pode perfeitamente precisar improvisar, se seu bebê está ganhando dentes, está passando por um pico de crescimento, está doente e acordando mais, se você está excepcionalmente cansado, ou se sua agenda regular foi perturbada por uma viagem ou feriado. Não há “certos” ou um único jeito de fazer qualquer coisa como mãe e pai. O que é um problema para uma família, pode ser a solução para outra. O objetivo é achar os arranjos para a sua família, que respeitem as necessidades do seu bebê, maximizem o sono e criem harmonia à noite.

http://www.activebirthcentre.com/Pages2/bbd18art6.html

Texto encontrado por Andréia Mortensen e traduzido por Daniela Westfahl

do livro “besame mucho”, do pediatra espanhol carlos gonzales grifos de Ana Basaglia

(…) Os nossos filhos estão geneticamente preparados para acordar periodicamente. Os nossos filhos herdaram os genes dos sobreviventes, dos vencedores da dura luta pela vida. Não dormem de um só sono, pelo contrário, passam, como os adultos, por vários ciclos de sono durante a noite. A duração de cada ciclo é variável, entre apenas vinte minutos e um pouco mais de duas horas; a duração média vem a ser de hora e meia nos adultos, mas apenas de uma hora nos bebés. Entre cada ciclo, passamos por uma fase de “despertar parcial”, que facilmente se torna despertar completo.
Mesmo os especialistas que “ensinam as crianças a dormir” reconhecem esse fato; o objetivo dos seus métodos não é conseguir que a criança não acorde, isso é impossível. O que querem é que, quando acorda, em vez de chamar pelos pais, se mantenha calada até voltar a adormecer.
As crianças “estão de guarda” para se certificarem de que a mãe não se foi embora. Se o bebé consegue cheirar a mãe, tocar-lhe, ouvir a sua respiração, talvez mesmo mamar, volta a adormecer de seguida. Em muitas das vezes, nem a mãe nem o bebé despertam completamente. Mas, se a mãe não está, a criança acorda completamente e começa a chorar. Quanto mais tempo tiver chorado antes que a mãe lhe acuda, mais nervosa estará e também mais difícil de consolar.

(…)

Há sempre uma alma caridosa que explica aos novos pais: “Não se preocupem, isso apenas acontece ao princípio; à medida que cresce, dormirá cada vez mais.”
Como vai dormir cada vez mais? Os recém-nascidos dormem mais de dezesseis horas por dia; uma criança que durma mais entra em coma. Os adultos dormem cerca de oito horas por dia, ou menos, por isso, em algum momento do nosso crescimento, temos de ir deixando de dormir.
“Claro”, dizem alguns, “dormem menos horas no total, mas durante a noite dormem mais horas seguidas”.
Talvez isso aconteça em alguns casos; mas noutros acontece exatamente o contrário. (…)
Investigadores norte-americanos estudaram os padrões de sono de um grupo de crianças, entregando questionários periódicos às mães. Todas as crianças incluídas no estudo tinham sido amamentadas durante pelo menos quatro meses, mas, aos dois anos, apenas metade continuava a mamar.
Observaram que o fato de acordar ou não durante a noite dependia do fato de a criança continuar a mamar ou ter sido completamente desmamada.
Estas últimas dormiam cada vez mais horas: nove horas seguidas aos sete meses e dez até aos vinte e quatro meses. As crianças que eram amamentadas pareciam seguir o mesmo caminho só no início; aos dois meses já dormiam seis horas seguidas e aos quatro meses, sete horas, mas depois dos quatro meses ficavam mais ativas e, entre os sete e os dezasseis meses, dormiam apenas quatro horas seguidas. Aos vinte meses dormiam sete horas (parece que por fim começavam a dormir!); mas era um falso alarme e, aos vinte a quatro meses, dormiam apenas cinco horas seguidas.
Também o tempo total de sono era diferente; as crianças que já não mamavam dormiam durante o dia uma ou duas horas mais do que aquelas que continuavam a mamar. Muitas das crianças que eram amamentadas dormiam com a mãe, mas passavam a dormir sozinhas pouco depois de deixarem de o ser. Estas crianças que dormiam com a mãe despertavam ainda com maior frequência durante a noite: aos vinte e quatro meses, as crianças que mamavam e ficavam com a mãe dormiam quase cinco horas seguidas; as que mamavam, mas que dormiam sozinhas, quase sete horas; as que não mamavam e dormiam sozinhas, nove horas e meia. … difícil saber se acordam porque estão com a mãe, ou se as deixam dormir com a mãe precisamente porque acordam frequentemente, ou se acordam igualmente, mas, quando estão noutro quarto, a mãe não dá por isso. Provavelmente, qualquer uma destas razões contribui um pouco.
A duração normal do período de lactação, para um ser humano, segundo diversos dados antropológicos e de biologia comparada, parece ser entre os dois anos e meio e os sete. Numa amostra de mães norte-americanas que faziam parte de grupos de apoio à lactação e que tinham amamentado durante mais de seis meses, a idade média do desmame encontrava-se entre os dois anos e meio e os três, e algumas crianças tinham mamado durante sete anos. As crianças desmamadas entre os quatro e os sete meses e que começavam a dormir durante mais horas seguidas mamavam menos do que o normal e dormiam mais do que o normal. O normal é aquilo que fazem as crianças de peito: acordar com maior frequência depois dos quatro meses.

Isso contribuiu para a sobrevivência dos nossos antepassados, permitindo que as crianças mantivessem o contato contínuo com a mãe. Não sabemos por que razão as crianças que são alimentadas artificialmente apresentam um padrão anómalo de sono. Os fabricantes de leite artificial continuam a procurar que o seu produto seja “o mais parecido possível com o leite materno”; pode ser que algum dia solucionem também este pequeno problema de excesso de sono nas crianças.

imagem: we heart it

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