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sweet_hereafter1

por Dr. Jay Gordon

Será bem difícil achar uma pessoa que apóia a cama familiar (pais e crianças dormindo junto) como eu sou. Ainda assim, já recebi muitos e-mails comentando que há partes desse “plano” que podem ser facilmente mal-entendidas como sendo simplesmente outra versão de “treinamento de sono” para bebês novinhos. Não é suposto ser isso, pelo contrario é bem diferente.

Aqui está o que eu realmente quero fazer: quero oferecer uma alternativa aos métodos de Ferber, Weisbluth e Tracy Hogg.

Eu não quero ver as minhas idéias aplicadas em um bebê de 4 meses ou até mesmo de 7 meses. Para falar a verdade, eu não incentivo nenhum “plano” para bebês menores de 1 ano. Essas idéias são, então, para serem aplicadas em bebês maiores de 1 ano.

Antes de proceder, deixe-me expressar a minha preocupação prioritária: Bebês ficam melhores quando respondemos a todas as suas questões da melhor maneira e atendemos às suas necessidades do melhor jeito que podemos.

A maioria das famílias que eu atendo em meu consultório pediátrico dormem na “cama de família”.

Seus bebês tendem a ser amamentados por mais de 1 ano e eles não dormem a noite toda melhor que a maioria de nós se dormíssemos pertinho do melhor restaurante da cidade e soubéssemos que está aberto 24 horas/dia.

Esse arranjo não é somente adequado e tolerável, mas na verdade para muitas mães é mais fácil, pois elas podem simplesmente amamentar os bebês deitadas mesmo e voltar a dormir, ao invés de ter que levantar para amamentar, ou ainda, recusar a amamentar e por o seu bebê de volta a dormir de alguma outra forma.

Muitos pais continuam esse esquema no primeiro ano, no segundo ano de vida da criança ou até mais, mas alguns preferem mudar pois estão muito cansados.

O que é mais triste de tudo: algumas mães e pais acham que o desmame total é o melhor jeito de conseguir mais sono. Eles preferem não considerar o desmame noturno apenas como uma boa opção ao invés do desmame total.

Existem dezenas de livros e artigos de revistas que implicam que existem algumas maneiras rápidas e fáceis de conseguir que o bebê durma a noite toda sem ser mamar. Eu ainda não li um desses sequer que diga a verdade completa aos pais.

Não é fácil, raramente é rápido e geralmente é bem barulhento e quebra o coração por algumas noites… ou mais. Eu já vi muitas famílias que precisavam de ajuda e foram oferecidas opções de que não gostaram nada.

Eu tenho uma alternativa melhor ao desmame total ou método do choro. Bebês acordam para a melhor interação com suas mamães, mamar para voltar a dormir. Oferece-se um pouco menos que isso por algumas noites, então um pouco menos ainda e assim por diante, uma modificação gentil de comportamento irá guiá-los a entender que não vale a pena “bater na porta do restaurante fechado”.

Eu não recomendo nenhuma modificação forçada no sono durante o primeiro ano de vida. Provavelmente, a única exceção a isso seria uma emergência envolvendo a saúde de uma mãe que amamenta. Existem muitas sugestões em livros e revistas que pressionam o “dormir a noite toda” durante os primeiros meses de vida do bebê. Eu não acho que essa é a melhor coisa a se fazer e estou muito certo que quanto mais cedo um bebê recebe o tratamento de “não-resposta” de seus pais, maior a chance de que ele irá se fechar, ao menos um pouco.

Não me entenda mal. Gosto muito da cama familiar, o desmame guiado pela criança, e muitos carinhos noturnos no primeiro, segundo, terceiro ano ou mais se está funcionando bem e se a família está se dando bem com o esquema. Não deixe ninguém te convencer que é uma escolha que vai prejudicar a criança ou que ela “nunca vai sair” da sua cama se você não fizer agora. Não acredite em ninguém que diga que o bebê que recebe muitos carinhos e mama de noite “nunca” vai aprender a dormir sozinho ou se tornará dependente. Isso simplesmente não é verdade, mas vende livros e por isso esses mitos continuam em nossa cultura.

Algumas mães simplesmente não querem continuar fazendo isso após alguns meses ou anos e deveria existir uma terceira escolha do que “viver com isso” ou o “método do choro”. Novamente, eu quero dizer que apoio a cama familiar e a amamentação durante a noite por um longo tempo e até estimulo alguns pais a continuarem por um pouquinho mais. Mas eu também tenho que mudar rumo de meus conselhos e apoiar famílias que precisam de mudanças a prosseguirem com as mesmas, mesmo sendo decisões difíceis algumas vezes.

O que recomendo para bebês maiores de 1 ano:

Escolha as 7 horas mais valiosas de sono para você. Eu pessoalmente prefiro de 23h00 às 6 da manhã, mas você pode ter uma preferência diferente.

Mude as regras durante essas horas e não se preocupe porque um bebê que teve todo esse carinho e sabe que pode contar com os pais durante todo o tempo tem uma personalidade formada no sentido de que vai agüentar essa mudança de regras. Ou seja, vai continuar tendo tudo o quer o tempo todo… oops, “quase” o tempo todo.

Esse é o conceito que queremos mostrar ao bebê: “quase”. Se pudéssemos explicar a ele que “mamães e papais cansados levam seus filhos ao parque, zoológico, playground menos do que mamães e papais descansados”… Se essa explicação pudesse fazer sentido às crianças por volta do terceiro aniversário ou antes (mas não faz!!) eles iriam simplesmente virar-se para o lado e dizer: “Te vejo de manhã”, e deixar-nos dormir o quanto quiséssemos.

Eu tento fazer esse plano em intervalos de 3 e 4 noites.

Estou assumindo que você tem um bebê maravilhoso, saudável, de 12, 15, 20 ou 30 meses, que ainda adora acordar de noite a cada 2-4 horas para mamar, carinho, ninar, ou o que seja. Estou assumindo que você pensou muito nisso tudo, decidiu que quer fazer modificações no esquema familiar. Estou assumindo que ambos, pai e mãe concordam que esta é a melhor opção. E, mais importante, que você está disposta a ir em linha reta no caminho das 7 horas de sono.

A razão dessa ultima afirmação: se o seu bebê aprender que se chorar, se contorcer, etc., por 1 hora vai conseguir que você o amamente, você estará regredindo no seu plano. Esse é o melhor programa que já vi mas é muito distante de ser fácil. E agora, vou dizer novamente: gosto realmente do que você tem feito, muitos carinhos e amamentação durante a noite. Não mude isso com meu programa ou qualquer outro se você está feliz fazendo dessa forma. Mas….

As primeiras 3 noites

A qualquer hora antes das 23h00, (incluindo 22h58) ofereça o peito para dormir, nine-o e faça o mesmo quando ele acordar, mas pare de oferecer o peito como solução quando ele acordar após as 23h00. Ao invés….

Quando seu bebê acordar à meia-noite ou qualquer outra hora após 23h00, abrace-o, amamente por um período curto, mas não o deixe adormecer mamando, e ponha-o na cama acordado. Massageie um pouco suas costas e abrace-o um pouco até que ele durma, mas não o ponha de volta no peito (ou uma mamadeira se esse for o caso). Ele precisa adormecer com seu conforto ao lado, mas sem ter que mamar para adormecer completamente.

Agora, ele irá te dizer que está com raiva, furioso, e detesta essa nova rotina. Eu acredito nele. Ele também tentará te dizer que está assustado. Eu acredito que ele esteja zangado, mas um bebê que teve centenas de noites seguidas de carinhos não está com medo de adormecer com sua mão em suas costas e sua voz suave em seu ouvido. Zangado, sim, assustado, não realmente. Durante essas 3 primeiras noites, repita esse padrão somente depois que ele tiver adormecido. Ele poderá dormir por 15 minutos ou 4 horas, mas para ser amamentado novamente tem que dormir e acordar de novo.

Essas noites serão difíceis.

Você poderá decidir que não está realmente preparada para tudo isso. OK, pare. Pare e comece de novo em alguns meses se preferir. Escolher o momento certo é crucial! Muitas pessoas escolhem esse momento baseado ou pressionado por amigos, pediatras, parentes, ou livros. Isso não funciona bem.

É melhor fazer esse plano na cama familiar, num bercinho no mesmo quarto ou usando um berço em outro quarto? Eu prefiro continuar com a cama familiar mesmo que pareça mais difícil no começo, mas sempre me pareceu mais difícil colocar o bebê dentro e fora do berço. Entretanto, se um berço ou uma cama de criança em seu quarto lhe parecer a melhor opção, vá em frente. Outra opção é expandir os limites de sua cama colocando outro colchão próximo ao seu. Um pouco mais de espaço para cada membro da família pode resolver alguns dos problemas de sono.

Minha opção menos favorita é um berço ou cama em outro quarto.

Novamente, durante essas três primeiras noites, entre 23 horas e 6 horas da manhã, abrace-o, amamente por um período curto de tempo, ponha-o na cama acordado, massageie as costas, fale com ele até que ele volte a dormir e repita esse ciclo somente após ele ter dormido e acordado novamente. As 06h01 faça o que for que você esteve fazendo, ignorando o padrão das 7 horas prévias. Muitos bebês irão rolar, mamar, e voltar a dormir e te darão mais uma hora extra de sono, mas alguns não irão. Para mim, uma das partes mais asseguradoras desse plano de sono é que os bebês acordam bem, felizes e sem ressentimentos sobre as mudanças nas regras. Você verá o que quero dizer, ainda que os primeiro minutos da manhã não sejam exatamente o que sempre tem sido. As próximas 3 noites Novamente, amamentar para dormir ate as 23h00. Quando ele acordar depois disso, abrace-o, aconchegue-se com ele por alguns minutos, mas não o amamente, e ponha-o para dormir acordado.

Colocá-lo na cama acordado é parte importante do plano como um esforço para ensiná-lo a pegar no sono com menos e menos contato. Não amamentar é uma grande mudança nessas 3 noites. Bebês de 1 ano podem facilmente ficar 7 horas (ou mais) sem calorias. Eles gostam de mamar um pouco durante a noite, mas fisiologicamente e nutricionalmente não é um longo tempo para ficar sem alimento.

As próximas 3 noites

Novamente, amamentar para dormir para as 11 p.m. Quando ele acordar, abrace-o, aconchegue-se com ele por alguns minutos, mas nao amamente-o, e ponha-o para dormir acordado.

Colocá-lo na cama acordado é parte importante do plano como um esforco para ensina-lo a pegar no sono com menos e menos contato. Nao amamentar `e uma grande mudança nessas 3 noites. Bebes de 1 ano podem facilmente ficar 7 horas (ou mais) sem calorias. Eles gostam de mamar um pouco durante a noite, mas fisiologicamente e nutricionalmente não é um longo tempo para ficar sem alimento.

Se eu pudesse acordar a minha esposa algumas vezes durante a noite, pedir-lhe para fazer um suco de laranja fresco (minha bebida favorita), e massagear as minhas costas para dormir enquanto eu bebo o suco, eu não escolheria desistir dessa rotina voluntariamente. Minha esposa pode ter uma idéia diferente e ficar cansada disso tudo rapidamente. Bebês raramente desistem de seus padrões e coisas favoritas- de dia ou de noite – sem hesitar e chorar.

Eu realmente não gosto de ouvir bebês chorando. Na verdade, eu detesto ouvir bebês chorando. Diferente deles, porém, nós adultos podemos entender as implicações e efeitos da falta de sono para uma família de 3, 4 ou mais pessoas. Padrões de sono algumas vezes têm que ser mudados. A segurança incrível que a cama familiar tem providenciado supre o melhor contexto e localização para essas mudanças.

Durante essas próximas 3 noites, alguns bebês vão chorar e protestar por 10 minutos enquanto outros vão chorar por 1 hora ou mais. Seu filho tem consciência de que você está lá do seu lado, oferecendo conforto e tranqüilidade. Somente não é a maneira de conforto que ele quer no momento. É difícil ouvi-lo chorar, mas vai funcionar. Eu acredito que ele é um bebê bem-amado, após 1 ano ou mais na cama familiar, e no final ele será o beneficiário dos pais terem noites melhores de sono.

“Sim, pelos últimos meses nós estivemos votando 1 a 2″ – não democraticamente, a favor do…. bebê. Quem quer levantar a noite toda, amamentar, andar para cima e pra baixo com o bebê, ficar realmente cansado no dia seguinte e no dia seguinte também? Bem, o voto é 1 a 2 a favor do bebê.”

Agora, o que estamos falando é: nós iremos algumas vezes votar 2 a 1 a favor da família do bebê. Esse conceito “família do bebê” pode ser abominável ao que se considera o Rei da Inglaterra, ou Imperador do Universo, mas nosso conhecimento de que ele tem esse sentimento nos permite demolir o ditador com confiança a um cargo de membro de respeito da família. Sua família.

No final da sexta noite, seu bebê vai voltar a dormir sem mamar. Ele vai dormir após um abraço gostoso, com a sua mão em suas costas e suas palavras em seu ouvido.

Se, em qualquer ponto esse plano parece “errado” para você, pare, espere alguns meses e comece de novo mais tarde. Não vá contra seus instintos que estão te dizendo que isso não é a coisa certa a se fazer para ajudar seu bebê a dormir. Seus instintos são melhores que qualquer programa de modificação de sono jamais escrito no mundo.

As próximas 4 noites

Noites 7, 8, 9 e 10. Não o pegue, não o abrace. Quando ele acordar após às 23h00, fale com ele, toque-o, fale mais um pouco, mas não o pegue no colo. Esfregue as costas somente. Não o amamente, obviamente. Ele voltará a dormir. Repita a massagem nas costas e fale com ele se acordar novamente. No fim da nona noite, ele estará voltando a dormir, embora com muita relutância para alguns bebês, com somente uma massagem e a voz calma da mãe.

Depois

Depois dessas primeiras dez noites, continue com carinhos e amamentar para dormir se você gosta e ele quer, mas não faça nada quando ele acordar no meio da noite, exceto tocar um pouco e falar com ele brevemente. Isso pode continuar por mais 3-4 noites, em alguns casos até por uma semana ou mais. Então… para. Ele aprendeu que é amado, tem na pratica tudo que precisa e quer durante o dia todo, mas tem que dar aos seus pais 7-8 horas de sono em retorno.

O que acontecerá se você viajar, ele ficar doente ou outra circunstância que exija um retorno a mais interação noturna? Nada. Você faz o que precisa ser feito (carinho, dar de mamar, andar, ninar, quantas vezes for necessário) e então passa 1, 2 ou 3 noites voltando ao novo padrão que a família tinha estabelecido. O bebê já conhece o processo e vai reagir a isso muito mais rápido que da primeira vez.

A propósito, “pague” o bebê. Tenha certeza que ele realmente receba bastante em beneficio pela boa noite de sono. Vá ao parque com mais freqüência, faça todas as coisas que você falou que faria se dormisse melhor. Explique a ele conforme você está fazendo. Ele irá entender e ficara bem com tudo isso.

Este artigo pode ser lido original em inglês aqui

Tradução de Andreia Mortensen aqui

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Saltos de desenvolvimento

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Manhã: Irineu, pai do Caetano, comenta que ele está chorão.
Tarde: Educadora do berçário adentra minha sala de aula para comentar que Caetano está chorando sem motivo aparente e me perguntar se algo diferente havia acontecido. Após minha constatação de que ele realmente está ‘enjoado e chorão’ ela ainda me pergunta sobre o sono dele. Respondo que ele não dormiu bem.
Caetano realmente está difícil. Mama a noite quase inteira há alguns dias. Irineu culpa a Livre demanda, enquanto eu penso em salto de desenvolvimento, termo muito conhecido entre maternas, mas nada conhecido por aí. Resolvi então reunir informações sobre o assunto num post para o MATERNA SP. Aqui vai:

O termo ‘salto de desenvolvimento’ é explorado no livro holandês ‘Oei ik groei’ de Hetty van de Rijt e Frans Plooij. Nele os autores contam o processo vivido pela criança nestes momentos, abordando os seguintes momentos:

  • O salto se anuncia
  • De volta à mamae
  • Dias dificeis
  • O salto

No período que antecede os saltos o bebê de repente se sente perdido no mundo, pois seu sistema perceptivo e cognitivo mudou (segundo os autores, tudo isso pode ser observado neurologicamente), mas ele ainda não se acostumou, então o mundo parece muito estranho. O que acaba acontecendo é que ele quer voltar a base, ao que é conhecido, ou seja, a mãe. Então nessas fases eles ficam mais carentes, precisando de colo, e com frequência também comem e dormem pior. Depois de algumas semanas essa fase difícil passa e tudo volta ao normal.

Salvo a possibilidades de variações entre bebêss, a cronologia observada (experimentalmente) pelos autores é a seguinte:

Periodos de crise:

  • 5 semanas
  • 1 mês quase
  • 2 meses
  • quase 3 meses
  • 4 meses e meio
  • 6 meses
  • 7 meses
  • 8 meses e meio
  • quase 11 meses
  • quase 13 meses
  • quase 15 meses
  • 17 meses

Depois de uma crise o bebê ‘de repente’ começa a fazer coisas que não fazia antes, dá um salto de desenvolvimento mesmo, e também fica mais feliz.

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bedshareOs indivíduos jovens de todos os mamíferos terrestres dormem em proximidade íntima a suas mães. Durante milhões de anos nos tempos pré-históricos, as crianças humanas provavelmente dormiam com suas mães. Nas tradicionais culturas tribais de hoje a prática de dormir com as crianças ainda é totalmente comum. Porém, nas culturas tecnologicamente avançadas da América do Norte e Europa, esta prática foi amplamente abandonada em favor dos berços. Na maioria das casas, a criança nem sequer dorme no mesmo quarto que seus pais.

Quando e como a prática natural de dormir com as crianças se perdeu na Cultura Ocidental? Durante o século 13 na Europa, os padres católicos foram os primeiros a recomendar que as mães parassem de dormir junto com as crianças.(1) Apesar da razão primária para este conselho ter sido provavelmente o surgimento do patriarcado e o medo de muita influência feminina nas crianças (principalmente nos meninos), a razão alegada para a recomendação era o medo de que se pudesse sufocar as crianças, situação mais conhecida como “overlaying” (rolar por sobre o bebê). Agora já se acredita que na maioria dos casos as mortes de crianças durante a Idade Média foram causadas por doença ou infanticídio. Quando um sufocamento acidental ocorria, era provavelmente porque um dos pais estava sob influência do álcool.

Nos séculos 14 e 15, o conselho de não dormir com as crianças começou a fazer efeito, e os berços eram itens comuns da mobília em quase todas as casas européias em que vivessem crianças.(2) A idade em que os bebês eram colocados para dormir nos berços durante a noite, em lugar de nos braços de suas mães, foi ficando cada vez mais jovem. Após a Revolução Industrial no século 18, a noção de “criança mimada/estragada” foi muito difundida nos países industrializados, e as mães eram advertidas para não pegar muito em seus bebês por medo de se criar monstros exigentes.

Continua…

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Engravidei pela segunda vez em 2001. O Tiago, meu primeiro filho, tinha acabado de completar 1 ano. Não planejei nada, até porque eu trabalhava como faxineira e meu marido estava desempregado.

Quando eu estava com uns três meses de gravidez, as pessoas me paravam na rua e diziam que eram gêmeos, porque a barriga estava enorme. Fui ao posto de saúde, e o médico deu a notícia de que eram três. Levei um susto, pois nunca houve casos de gêmeos na minha família.

Parei de trabalhar, pois a barriga pesava

Com seis meses de gravidez, me encaminharam a uma maternidade do Recife especializada em gestações de risco. Foi então que, depois de fazer uma ultrassonografia, o obstetra Stevam Rios me contou que eram quatro meninas. Foi um choque! Ainda mais por causa da situação financeira da família. A partir daí, minha vida mudou.

Passamos a morar num quartinho na casa da minha mãe. Eu não tinha condições de fazer nenhum serviço de casa. Parei de trabalhar, porque a barriga estava muito pesada. Eu não conseguia mais dormir e estava com os pés muito inchados. Isso sem falar em todas as viagens ao Recife para fazer o pré-natal.

Fora isso, a gravidez foi tranquila. Meu parto estava marcado para 24 de abril de 2002, mas, no dia 9, o doutor Stevam decidiu que eu deveria ficar internada em observação. Eu não queria ir, estava cansada de viajar. Mas parece que ele estava adivinhando.

O parto normal durou sete minutos

Era tarde, passava da meia-noite do dia 10. Tomei banho e fui à enfermaria. De repente, senti tudo molhar: a bolsa tinha rompido. Por sorte, o Stevam estava de plantão. Quando chegou, ele viu que eu já estava em trabalho de parto. Era pra ter sido uma cesariana, mas a primeira menina já estava coroando. Tudo aconteceu rápido.

A Maria Vitória nasceu primeiro. Seis minutos depois, veio a Maria Paula. Dela para a Maria Raiane foi somente um minuto! Mais um minuto e chegou a Maria Stefane, uma homenagem ao meu médico. Resultado: tive quatro meninas de parto normal em pouco mais de sete minutos.

Juro que pensei que não conseguiria ter as minhas filhas assim, naturalmente. Na minha cabeça, só poderia ser cesariana. Eu estava muito fraca, e elas eram prematuras, a gravidez durou oito meses. Mas deu tudo certo, elas só ficaram dez dias na incubadora. Depois, mais um mês no canguru, que é quando elas ficam coladinhas no corpo da mãe para desenvolver os pulmões, no próprio hospital.

No dia em que elas nasceram, aparecemos em tudo quanto é jornal, televisão, site, rádio. Foi ótimo, porque recebemos muita ajuda. Ganhei milhares de fraldas, muitas latas de leite, berços. Eu estava com medo de não conseguir sustentar minhas filhas, mas graças a Deus muita gente boa nos ajudou.

Ganhamos uma casa e emprego

A Prefeitura de Vitória de Santo Antão nos deu uma casa, onde moramos até hoje. Ainda precisei ficar uns meses na casa da minha mãe até meu novo lar ficar pronto. Para cuidar de quatro bebês ao mesmo tempo, tive a ajuda de cunhadas, das minhas irmãs e da minha mãe. O que não faltava era gente querendo dar uma mãozinha!

Consegui também um emprego numa escola municipal. Sou zeladora, e meu marido foi contratado como porteiro. Cada um recebe um salário mínimo, mas isso é muito pouco para sustentar cinco filhos. Por isso, o doutor Stevam, que virou padrinho de Stefane, nos dá os medicamentos. Ainda assim nós precisamos de apoio, porque é necessário muita roupa e comida para tanta gente.

Hoje, minhas filhas têm 6 anos e estão na escola, aprendendo a ler. O engraçado é que elas precisam usar pulseirinhas com os nomes, porque as professoras e os colegas confundem umas com as outras. Elas se divertem demais com isso. Nem o pai decorou quem é quem. Só eu e o Tiago sabemos. Raiane e Paulinha são as mais bravas e ciumentas. Stefane é mais carinhosa, e Vitória é calminha.

Apesar de a minha gravidez não ter sido planejada, não me imagino sem as minhas filhas. Agora que elas estão mais independentes, está cada dia melhor. Não consigo passar dez minutos longe das minhas gêmeas!

Dona da história: Josefa Maria da Conceição, 31, zeladora, Vitória de Santo Antão, PE
Reportagem: Renata Coutinho

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Haptonomia

Haptonomia? Pra que dar um nome a coisas simples da vida?
Esta palavra foi criada há mais de 50 anos por Frans Veldman, para designar a ciência das interações e das relações afetivas humanas. Praticada legalmente em países como a Holanda, ela confirma que a presença afetiva e o toque ajudam no desenvolvimento de um estado de segurança de base à uma pessoa que pode estar triste, doente, morrendo ou mesmo, no ventre.
A partir desta definição, hoje em dia muitos países fazem uso da haptonomia dentro da área médica, no desenvolvimento das relações entre médico-paciente (O Médico do Futuro, para uma nova lógica médica – coleção Medicina e Saúde, edição do Instituto Piaget). Segundo o autor do livro, Jean-Paul Gaillard, “trata-se apenas de presença no olhar e de sinceridade no gesto; presença de um calor que sabe medir a distância adequada (nem excessivamente próximo, nem excessivamente distante), sinceridade que sabe transmitir a flexibilidade das suas capacidades de prestar cuidados”. Acredita-se que quando o doente fala de si próprio, pode se fazer uma anamnese mais eficaz e verdadeira além de traçar o caminho para uma maior adesão terapêutica do paciente.

haptonimiaNo entanto, a haptonomia é mais conhecida na aplicação à tríade pai-mãe-feto. À partir de 4 meses de gravidez, mais ou menos, o bebê é suficientemente desenvolvido para perceber um toque afetivo e reagir. O toque é a primeira linguagem. Os contatos haptonômicos, quer dizer os toques afetivos de qualidade, conferem ao nenê um importante sentimento de segurança. Isto lhe confere maior equilibrio emocional após seu nascimento. Os toques podem continuar durante o parto, o que facilitaria o nascimento e sua adaptação à nova vida extra-uterina.

A mãe, por sua vez, a partir destes contatos, melhora a relação com seu filho e pode lhe ajudar em processos psicológicos (por exemplo, pedindo para o bebe se posicionar diferentemente no útero). Quanto ao pai, muitas vezes excluido da simbiose psicológica mãe-feto, ele encontra um meio excepcional de entrar em contato com o filho antes do nascimento. Segundo Marie Panier, a haptonomia permite reduzir a diferença entre a vivência do pai em relação àquela que a mãe possui com o bebê. Aliás, as sessões de haptonomia são censuradas de serem feitas sem a presença do pai, porque prejudicaria ainda mais este vinculo (fonte: http://www.passeportsante.net/fr/Therapies/Guide/Fiche.aspx?doc=haptonomie_th).

Enfim, foi criado um substantivo para descrever algo que muitas pessoas instintivamente fazem. Por que? Para transformar o amor em uma ciência e assim confirmar seus efeitos benéficos? Para escolarizar (converter em manual prático) o que instintivamente podemos fazer? Ou, para que consigamos enxergar a partir de dados científicos o que já sabíamos e que, pelo ritmo que levamos nossas vidas precisaríamos reaprender?

Fica aí a questão para refletir….

Para saber mais:

http://mediropulso.blogspot.com/2007/10/haptonomia-e-afectividade-no.html

http://www.bionascimento.com/index.php?option=com_content&task=view&id=48&Itemid=47

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Um espetáculo para gestantes, lactantes e simpatizantes

Desde que o mundo é mundo, as mulheres grávidas são perseguidas por dúvidas e incertezas. Muitas buscam a ajuda da ciência, da tecnologia, da literatura médica. Outras, contam histórias. O espetáculo, interativo e alegre, resgata histórias antiquíssimas de várias culturas que tratam das questões relacionadas à maternidade, o desejo de engravidar, os medos, a espera e o nascimento. Acompanhadas de música ao vivo, teatro de sombras, bonecos e projeção de imagens, as histórias são entremeadas com uma série de simpatias enraizadas na cultura universal sobre gravidez e cuidados com o bebê. Tempo de Espera visa compartilhar de forma lúdica as histórias milenares com grávidas, grávidos e simpatizantes de todos os tipos. É um espetáculo para adultos mas, como não poderia deixar de ser, adultos que vivem em sintonia com as crianças.

Contadoras de Histórias e Manipuladoras:

Andi Rubinstein e Urga Maira Cardoso

Musicistas:

Luciana Cestari, Lucilene Silva e Renata Mattar

Concepção e Roteiro:

Grupo Lampejo

Data:

01/11 sábado às 20:30h

Idade:

Livre

Entrada Gratuita – Retirada dos ingressos a partir das 14h, contribua com 1kg de alimento não perecível para doação

Local:

Teatro do Centro de Cultura Judaica

R. Oscar Freire 2500 – junto ao metrô Sumaré

Tel. 3065-4333

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