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Posts Tagged ‘causos’

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Engravidei pela segunda vez em 2001. O Tiago, meu primeiro filho, tinha acabado de completar 1 ano. Não planejei nada, até porque eu trabalhava como faxineira e meu marido estava desempregado.

Quando eu estava com uns três meses de gravidez, as pessoas me paravam na rua e diziam que eram gêmeos, porque a barriga estava enorme. Fui ao posto de saúde, e o médico deu a notícia de que eram três. Levei um susto, pois nunca houve casos de gêmeos na minha família.

Parei de trabalhar, pois a barriga pesava

Com seis meses de gravidez, me encaminharam a uma maternidade do Recife especializada em gestações de risco. Foi então que, depois de fazer uma ultrassonografia, o obstetra Stevam Rios me contou que eram quatro meninas. Foi um choque! Ainda mais por causa da situação financeira da família. A partir daí, minha vida mudou.

Passamos a morar num quartinho na casa da minha mãe. Eu não tinha condições de fazer nenhum serviço de casa. Parei de trabalhar, porque a barriga estava muito pesada. Eu não conseguia mais dormir e estava com os pés muito inchados. Isso sem falar em todas as viagens ao Recife para fazer o pré-natal.

Fora isso, a gravidez foi tranquila. Meu parto estava marcado para 24 de abril de 2002, mas, no dia 9, o doutor Stevam decidiu que eu deveria ficar internada em observação. Eu não queria ir, estava cansada de viajar. Mas parece que ele estava adivinhando.

O parto normal durou sete minutos

Era tarde, passava da meia-noite do dia 10. Tomei banho e fui à enfermaria. De repente, senti tudo molhar: a bolsa tinha rompido. Por sorte, o Stevam estava de plantão. Quando chegou, ele viu que eu já estava em trabalho de parto. Era pra ter sido uma cesariana, mas a primeira menina já estava coroando. Tudo aconteceu rápido.

A Maria Vitória nasceu primeiro. Seis minutos depois, veio a Maria Paula. Dela para a Maria Raiane foi somente um minuto! Mais um minuto e chegou a Maria Stefane, uma homenagem ao meu médico. Resultado: tive quatro meninas de parto normal em pouco mais de sete minutos.

Juro que pensei que não conseguiria ter as minhas filhas assim, naturalmente. Na minha cabeça, só poderia ser cesariana. Eu estava muito fraca, e elas eram prematuras, a gravidez durou oito meses. Mas deu tudo certo, elas só ficaram dez dias na incubadora. Depois, mais um mês no canguru, que é quando elas ficam coladinhas no corpo da mãe para desenvolver os pulmões, no próprio hospital.

No dia em que elas nasceram, aparecemos em tudo quanto é jornal, televisão, site, rádio. Foi ótimo, porque recebemos muita ajuda. Ganhei milhares de fraldas, muitas latas de leite, berços. Eu estava com medo de não conseguir sustentar minhas filhas, mas graças a Deus muita gente boa nos ajudou.

Ganhamos uma casa e emprego

A Prefeitura de Vitória de Santo Antão nos deu uma casa, onde moramos até hoje. Ainda precisei ficar uns meses na casa da minha mãe até meu novo lar ficar pronto. Para cuidar de quatro bebês ao mesmo tempo, tive a ajuda de cunhadas, das minhas irmãs e da minha mãe. O que não faltava era gente querendo dar uma mãozinha!

Consegui também um emprego numa escola municipal. Sou zeladora, e meu marido foi contratado como porteiro. Cada um recebe um salário mínimo, mas isso é muito pouco para sustentar cinco filhos. Por isso, o doutor Stevam, que virou padrinho de Stefane, nos dá os medicamentos. Ainda assim nós precisamos de apoio, porque é necessário muita roupa e comida para tanta gente.

Hoje, minhas filhas têm 6 anos e estão na escola, aprendendo a ler. O engraçado é que elas precisam usar pulseirinhas com os nomes, porque as professoras e os colegas confundem umas com as outras. Elas se divertem demais com isso. Nem o pai decorou quem é quem. Só eu e o Tiago sabemos. Raiane e Paulinha são as mais bravas e ciumentas. Stefane é mais carinhosa, e Vitória é calminha.

Apesar de a minha gravidez não ter sido planejada, não me imagino sem as minhas filhas. Agora que elas estão mais independentes, está cada dia melhor. Não consigo passar dez minutos longe das minhas gêmeas!

Dona da história: Josefa Maria da Conceição, 31, zeladora, Vitória de Santo Antão, PE
Reportagem: Renata Coutinho

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